Uma memória já é algo morto?

Como é bom neste finalzinho de ano regletir sobre a vida, claro, tomando o cuidando de deixar acontecer a reflexâo, sem buscar amor, libertação, etc. – pois o óbvio e que já é – não se procura.

E mais uma vez recorro ao Hamed Ali um pensador atual e que vive nesta época, presente como nós:

“Quando digo que o mundo é velho, ou que o que nós vemos é velho, não quero dizer velho no sentido de que cresceu com o tempo. Quero dizer velho no sentido de que parou de crescer. Ele está morto em sua forma antiga, do jeito que você o construiu anos e anos atrás. A mente perpetua fantasmas, coisas mortas; não há vida neles. Eles não são leves – são pesados, escuros, úmidos, velhos e bolorentos. Eles estão velhos. Nesse mundo escuro, velho e úmido, você sofre. O sofrimento é sentido principalmente porque ainda acreditamos que aquele mundo velho, escuro e morto seja a realidade, e vivemos como se fosse a realidade, querendo uma parte dele, não querendo outra parte, colocando parte dele contra outra parte. Você está colocando este cadáver contra outro cadáver, não gostando dessa coisa morta, gostando da outra coisa morta. Quando você deseja algo porque experimentou no passado, o que você deseja é um cadáver. Já está morto. Se você pensa que o que lhe dará felicidade e alívio é algo que você conhece, então o que você está procurando é um cadáver, uma coisa morta. Você nunca pode saber em sua mente o que você realmente deseja, o que irá lhe dar liberdade. Você só pode trabalhar para se desapegar, para se livrar do universo que conhece, da totalidade de sua mente. Você não pode sair por aí procurando a realidade procurando por Algo que você conhece, porque o que você conhece é uma memória do que você percebeu no passado. Uma memória já é algo morto. E já que você está se lembrando disso, mesmo que esteja se lembrando de alguma experiência da realidade, a memória não é a realidade. A própria realidade é a incineração dessas idéias e conceitos, então como você poderia se lembrar dela?”

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Olha pra mim

Vem
Olha pra mim
Sim

Vê que é assim
É
Vem
Deixa eu seguir
Agora, agora, agora, agora
Eu era, eu era, e ia, ia
Agora, agora, agora, agora
Eu era, eu era, e ia, ia e vou
Agora, agora, agora
Eu era, eu era, era, era e sou
Olha pra mim
Vê?
Tô? bem aqui
Sim
Vê que é assim

Vem
Deixa eu seguir
Bem
Só, olha pra mim
Agora, agora, agora, agora
Eu era eu era e ia, ia
Agora, agora, agora, agora
Eu era, eu era e ia, ia e vou
Agora, agora, agora
Eu era, eu era, era, era e sou
Olha pra mim

Viajar para onde neste momento?

http://decarlicris.blogspot.com/2012/08/viagens-luiz-carlos-lisboa.html

Viagens, Luiz Carlos Lisboa

“Quanto mais longe viajamos, menos conhecemos”, dizia Lao-Tsé. A ideia muito divulgada de que é preciso ir longe para alcançar a essência das coisas, ou o transcendental, nasceu do conceito segundo o qual somente através do esforço conseguimos qualquer coisa. Tudo tem seu valor, tudo tem seu preço, imagina o homem que passa a vida inteira lutando para sobreviver. A conquista da fortuna pode ser assim – embora nem sempre seja -, mas a conquista do conhecimento e da sabedoria, segundo Santo Agostinho, Nicolau de Cusa, Mestre Eckhart*, Willian Law, Fénelon, Ansari de Herat, Pascal, Benet de Canfield e o Bhagavad Gita, a conquista da sabedoria não passa absolutamente pelo esforço, pela rigidez, pelo empreendimento duradouro ou pela busca incansável.

Esse é dos capítulos fascinantes da história das religiões, e parte importante do estudo sobre o comportamento humano. Mestre Eckhart repetia com método e tranquilidade: “Afirmo e sempre afirmarei que já possuo tudo que me foi concedido na eternidade, pois Deus, na plenitude de sua divindade, mora eternamente em sua imagem, a alma”. Esse tipo de mensagem afirma, através dos séculos, que o homem não precisa sair de onde está para realizar-se integralmente.

Isso não sugere a morte em vida, obviamente, nem qualquer forma do imobilismo tão odiado pelos hiper-ativos que controlam – ou julgam controlar – a sociedade humana, suas maravilhas e seus horrores. No “não ir a parte alguma” está contido, apenas, o “ficar para não fugir todo tempo.”

A razão pela qual “quanto mais longe viajamos, menos conhecemos” está embutida no fato de empreendermos viagens inúteis simplesmente para não ficar onde estamos. Isso não se refere apenas às viagens reais, mas ao ir e vir de cada dia, dentro de casa ou no serviço, a pretexto de mil puerilidades que executamos com imensa gravidade. Por que ir lá aprender alguma coisa, se recusamos todo aprendizado aqui e agora, na modéstia deste minuto e desta circunstância?

Empreender uma caminhada equivale a adiar o que deve ser feito imediatamente – melhor dizendo, o que só pode ser feito imediatamente, não depois, pouco adiante ou mais tarde. Caminhar, viajar, proporcionam prazer e são em si inofensivos. O problema está naquilo que fazemos com esse pretexto, ou naquilo que deixamos de fazer porque estamos mudando simplesmente de lugar.

É ainda Mestre Eckhart quem aconselha: “Levante-se, a alma nobre. Calce seus leves sapatos, que são a intuição e o amor, e salte por cima da idolatria de si mesmo, salte sobre todos os seus esforços, diretamente no coração de Deus, naquele coração onde estará oculta de todos”. A tradição renana usa constantemente esse simbolismo do movimento para indicar precisamente aquilo que se obtém com “um movimento do coração”. Essas referências hoje são mais difíceis de compreender que nunca, porque é o século de ação e de movimento – em círculos.

Tudo o que sugere ficar, aborrece e entedia. Talvez fosse mais exato dizer: desperta um indefinido temor toda forma de permanência. A palavra de ordem não é inovar? A onda cultural e sua força inconcebível arrasta toda dúvida e sepulta qualquer meditação mais demorada. A época é de certezas, de decisões rápidas, de conceitos formados, de ideias prontas. O que já não vem embalado e rotulado levanta suspeitas, semeia antipatias.
Viajar para aprender é um antigo mito. O prazer inofensivo de percorrer terras não mereceria comentários se não se tornasse um biombo, em alguns casos, atrás do qual nos escondemos. “Descansamos” do que somos, sem conhecer o que somos. Deixamos tudo para trás, compromissos, conceitos, coerência. Não há lugar para culpa, em tudo isso. É bastante ver o que fazemos, quando fazemos e como fazemos.

Esse é um aprendizado insubstituível, que não pode ser encontrado nos livros, nos museus ou nas conferências. Não aprendemos em algum outro lugar, aprendemos neste lugar aqui, onde estamos no instante em que nos surpreendemos pensando nisso. Há uma frase de Caussade que resume tudo: “Faça o que está fazendo agora, sofra o que está sofrendo agora. Faça tudo com simplicidade, nada precisa ser mudado, a não ser seu coração”. Acrescentar qualquer outra coisa a isso equivale a mudar o que não precisa ser mudado, deixando de conhecer (mudar) precisamente o coração.
Para não mudar interiormente, mudamos de lugar no espaço. A inquietação do habitante do século XX é proverbial. As mãos, os olhos, os pés, viajam todo o tempo, e a atenção está permanentemente dividida. Mudar interiormente não exigiria movimento, a não ser o da percepção, um fluir muito peculiar. Permanecer, como diz Caussade, para compreender.

O que parece complexo é extremamente simples, embora não seja comum. O que parece obscuro é absurdamente claro, embora não seja familiar. O que parece fácil de ser rotulado não pode receber uma designação satisfatória. A imobilidade atenta (não confundir com imobilismo) é um estado de alerta do qual não está excluída a tranqüilidade. O espírito é ágil e não conhece nenhuma forma de esforço ou cansaço.
Não há evasão, não há impulsos subterrâneos agindo ocultamente.
Apenas a permanência naquilo que fazemos, única forma de conhecer aquele que pretende ser o conhecedor do mundo. E nisso tudo não há nada de milagroso, de espetacular, de místico ou de sobrenatural. Para citar pela ultima vez, uma frase de Ansari de Herat: “Andar sobre a água? Uma palha faz melhor. Voar até as nuvens? Um pássaro faz melhor. Conquiste seu coração, e você fará alguma coisa que somente você faz bem”.
Luiz Carlos Lisboa

*Mestre Eckhart – místico renomado do século XIV.

Você está aqui?

Hamed Ali (Almaas) perguntou em uma reunião com estudantes:

Você está aqui? 

Você está realmente aqui nesta sala?  Não quero dizer que seu corpo está aqui, porque esse é obviamente o caso. 

Mas você está aqui? 

Você sente que está aqui na sala? 

Você está ciente de que está presente aqui e de sua experiência real neste momento? 

Ou, você está perdido em pensamentos, fantasias, planos, reações emocionais? 

Você está aqui agora, ou está tentando estar aqui, fazendo um esforço simbólico por que é disso que estamos falando? 

Você está ciente de tudo e de todos ao seu redor? 

Quando você ouve a pergunta “Você está aqui?”  não é importante, ao responder, que você tente ser bom ou correto.  É importante apenas explorar por si mesmo, você está aqui ou não?  Você está em seu corpo ou alheio, ou apenas ciente de partes dele? Quando digo: “Você está em seu corpo?” Quero dizer, “Você está percebendo completamente o seu corpo?” Você está presente em suas células, habitando e preenchendo seu corpo?  Se você não está em seu corpo, que significado há em sua experiência neste momento? Você está se preparando para estar aqui no futuro? Você está estabelecendo condições dizendo a si mesmo: “Quando isso ou aquilo acontecer, terei tempo, estarei aqui”? 

Se você não está aqui, para que está se guardando? Independentemente das histórias que você conta a si mesmo, neste momento, neste exato momento, existe apenas este momento, aqui, agora. Nada mais existe. Para sua experiência direta, apenas o aqui e agora é relevante. Apenas o agora é real. E é sempre assim. 

Portanto, precisamos nos perguntar porque nos colocamos em espera, esperando o momento certo, esperando as circunstâncias certas surgirem no futuro. Talvez a hora certa nunca chegue. Talvez as condições que você tem em mente nunca surjam para você. Quando você começará a existir então? 

O fato mais direto e óbvio da experiência é que o momento, o aqui e agora, é tudo o que existe. Isso é tudo que existe neste momento. O que quer que esteja acontecendo neste momento, é a sua vida. Não estou sugerindo que você apenas neste momento, deixe de conseguir ou fazer qualquer coisa, até mesmo compreender qualquer coisa. Eu quero dizer apenas ser. 

Por que você acha que o que você faz, o que você tem e o que você obtém são mais importantes do que apenas estar aqui? Por que você está sempre querendo algo ou ir a algum lugar? Por que não apenas relaxar e estar aqui, simplesmente existindo em todas as suas células, habitando todo o seu corpo? Quando você vai se permitir descer de suas preocupações elevadas e simplesmente pousar onde está? Pare de sonhar, tramar, planejar, trabalhar, realizar, manipular, tentar ser algo, tentar chegar a algum lugar. 

Você se esquece da coisa mais simples e óbvia, que é estar aqui. Se você não está em seu corpo, perde a fonte de todo significado e satisfação. 

Como você pode sentir a satisfação, se você não está aqui? 

Sentimos falta de quem somos, o que é fundamentalmente ser, existência. Se não estivermos aqui, existimos apenas nas periferias da realidade. Não valorizamos suficientemente o simplesmente ser. Em vez disso, valorizamos o que queremos realizar ou o que desejamos possuir. É nosso maior erro. É a chamada “grande traição”. 

Estamos sempre em busca de prazer, buscando freneticamente a felicidade de várias maneiras, e perdendo totalmente o prazer mais simples e fundamental, que na verdade é também o maior prazer: apenas estar aqui. Quando estamos realmente presentes, a própria presença é feita de plenitude. Nossos hábitos e condicionamentos nos levam a esquecer o maior tesouro que temos, nosso direito de nascença – o prazer e a leveza da existência. Pensamos que teremos prazer ou deleite se cumprirmos um certo plano, se um certo sonho se concretizar, alguém de quem gostamos gostar de nós, se fizermos uma viagem maravilhosa. Essa atitude é um insulto a quem somos. Nós somos o prazer, nós somos a alegria, nós somos o significado mais profundo e o valor mais alto. 

Quando entendemos isso, vemos que é ridículo pensar que obteremos prazer e alegria por meio dessas coisas externas – fazendo isso ou aquilo, ou recebendo aprovação ou amor dessa ou daquela pessoa. 

Felicidade, valor e prazer não são o resultado de nada. Essas qualidades fazem parte de nossa natureza fundamental. Se simplesmente nos permitirmos ser, esta é nossa experiência natural. Você é a coisa mais preciosa do universo, mas se comporta como se fosse a coisa mais pobre e trivial que existe. Realmente, não é preciso muito para ver isso. Apenas pare o contínuo turbilhão. Deixe-se relaxar e esteja presente. Você pode se permitir fazer isso onde quer que esteja. Você não precisa estar nas Ilhas Canárias para ser feliz. Você não precisa estar com alguém por quem está apaixonado e que ama você para ser feliz. Colocar essas condições em sua felicidade é uma maneira degradante de se olhar. Claro, você pode ser feliz nas Canárias ou com alguém que você ama, mas e quanto ao resto do tempo? Você se abandona e começa a buscar satisfação. Você sente que falta algo, por isso está sempre em busca, adquirir ou realizar não o preenche

Não é que algumas pessoas fiquem satisfeitas em ser e outras não; não, todos nos sentimos satisfeitos quando somos nós mesmos. É uma qualidade de nossa natureza humana. É nosso dom natural. É o significado de ser humano. A única coisa que precisamos fazer é nos deixar ser. Se você simplesmente se sentir neste momento, mesmo que sinta que não está de uma forma plena e satisfatória, você vai 

naturalmente tomando consciência do que está bloqueando seu ser. 

O que está me impedindo de ser neste momento? Por que, eu quero ir para outro lugar? Por que estou sempre pensando sobre o que vai me fazer feliz? 

Podemos nos tornar naturalmente curiosos e começar a desvendar as crenças, esperanças e medos que criam os bloqueios para estarmos cientes de nosso ser. Quando paramos para pensar, reconhecemos que felicidade não é algo que somos e vai chegar a algum lugar, nem é o resultado de alguma ação que realizamos. 

Buscamos prazer, alegria, felicidade, paz, força, poder. Mas esses são simplesmente aspectos de nossa existência. Nossa natureza, nossa origem é a coisa mais preciosa que existe. A própria existência é uma delícia. Essa existência, esse deleite, é o próprio centro da realidade, o tempo todo. Por nos esquecermos de nossa origem e de nossa verdadeira natureza, tendemos a ficar à margem da existência e nunca nos permitimos viver a partir do centro de nós mesmos. É uma história quase trágica. 

Quando os professores dizem que você está dormindo ou se perdeu, eles querem dizer que você se afastou de sua existência. Você está adormecido para o seu ser. Mas não é exatamente porque você se extraviou, no sentido de que estava em outro lugar, perdido, e agora está aqui. Na verdade, você estava aqui o tempo todo. Na verdade, você sempre esteve aqui. Somos um ser, não um pensamento seguindo outro pensamento. 

Somos algo muito mais fundamental, mais substancial do que isso. Somos um ser, uma existência, uma presença que impregna o presente e preenche nosso corpo. Nós vamos tão longe de nós mesmos, mas o que procuramos está tão perto. Constantemente, colocamos nossa atenção em que se a situação é o que queremos ou não queremos. Isso é bom ou ruim? Mas o significado de qualquer experiência é nossa mera presença, nada mais. O conteúdo de qualquer experiência é simplesmente uma manifestação externa dessa presença central. 

Então, qual é o sentido de esperar? 

O que exatamente você está esperando? 

Alguém vai te dar o que você sempre quis? 

O que o impede de ser, de estar presente, não é nada além de sua esperança para o futuro. Esperar que algo seja diferente o mantém em busca de alguma fantasia futura. Mas é uma miragem; você nunca chegará lá. A miragem o impede de perceber o óbvio, a preciosidade do ser.

Claro, quando você se deixa ser, quando se deixa afundar na realidade, você pode experimentar coisas desagradáveis; mas essas são simplesmente as barreiras que impedem você de existir. 

No tempo, com presença, eles se dissolverão. Você pode sentir desconforto, medo, mágoa e vários sentimentos negativos. Essas são as coisas que você está tentando evitar por não estar aqui. Mas são apenas acumulações do que foi varrido para debaixo do tapete da inconsciência. Eles não são você. Eles são o que você enfrenta no caminho para a existência. Quando reconhecemos e entendemos esses sentimentos enquanto estamos presentes, eles se dissolvem, porque a ideia de nós mesmos e em que se baseiam não é verdadeira. 

Quando as ilusões se dissolverem, o que é real, sua natureza, surgirá e permanecerá. Você passa por um processo de purificação, não porque o Ser esteja manchado, mas porque você acumulou tantas suposições e crenças sobre a realidade. Se continuar a ter esperança e contar histórias a si mesmo, continuará adormecido, porque a realidade ainda é como é, queira você ou não. 

Você gostaria que sua felicidade dependesse de algo diferente de sua natureza? Nosso trabalho aqui não é chegar a algum lugar ou realizar algo, mas permitir que nosso ser surja. Apenas habitar seu corpo. 

Não estamos falando sobre algo que você faz de vez em quando, quando medita, e no resto do tempo faz coisas importantes em sua vida. É assim que pensamos: “Vou meditar agora, e depois continuar com meu dia, continuar com minha agenda importante.” 

O que é importante? 

Você é importante. 

Você não precisa fazer nada importante para ser importante. Você não precisa alcançar a iluminação ou realizar qualquer ação nobre para dar importância à sua vida. Tu és. Essa é a coisa mais importante que existe. Você é muito especial, sempre. Você não é importante porque alguém pensa que você é especial, nem por causa de quaisquer capacidades ou realizações incomuns. Você é importante por causa de sua natureza; você não pode deixar de ser importante e precioso. Nada pode provar ou desmentir. 

Você é importante porque sem a sua presença real, não há significado na vida, não há valor na vida. Quando você está consciente de sua existência, a experiência é um prazer absoluto. Esse prazer existe independentemente do que você esteja fazendo – esfregando o chão, indo ao banheiro, criando algo maravilhoso. Cada momento é precioso e vivido ao máximo. Você não é os sentimentos, os pensamentos ou o conteúdo da sua consciência. Nenhum desses é quem você é. Você é a plenitude do seu Ser, a substância da sua presença. 

Essência é apenas Ser

Essência é apenas Ser, você é. O que você é nada tem a ver com o que você quer, o que você não quer, o que você faz ou não faz. Simplesmente está lá. Você pode estar fazendo qualquer coisa, e o Ser está aí, e esse é você. Alguns de vocês experimentaram sua essência e sua sonoridade para saber o que é o amor. Se você não experimentou a essência, você não pode saber realmente o que é o amor, ou ficará confuso sobre o amor. Mesmo que tenha sentido o amor, não foi capaz de separá-lo das necessidades e emoções. Conhecer a sua essência é a condição primária e básica. É possível experimentar o amor ou a essência enquanto a personalidade está presente, mas se você nunca reconhecer a essência, você não será capaz de separar o que é real do que não é. Não diga o que muitos outros professores dizem, que enquanto a personalidade estiver presente, não haverá amor. O amor pode estar presente quando a personalidade está presente. No entanto, se você não sabe o que é essência e personalidade, não será capaz de ver o elemento puro do amor. Hamed Ali. #amorverdadeiro #puroamor #essência #tudoenada

Você sabe que tem uma inteligência inata?

Hamed Ali (AHAlmaas):

“Quando a confiança está presente, você deve certificar-se de que seu organismo fará o melhor que puder na situação. Sua mente, entretanto, não permite essa presença completa no agora; pensa que sabe o que é melhor para você, mas é claro que sabe apenas, e com cautela, o que é -exatamente a partir do passado, e pode conduzi-lo apenas por caminhos condicionados por sua história. Porque você não sabe que tem uma inteligência inata – que sabe o que precisa ser feito, você não permite que ela opere. Você está sempre tentando direcionar isso ou aquilo que normalmente chamamos de “vontade”. Mas, quando estamos nos dirigindo e nos controlando, estamos impedindo nossa espontaneidade. Não somos capazes de confiar e, portanto, estamos bloqueando o caminho de nossa verdadeira vontade. A verdadeira vontade nada mais é do que a entrega total ao que é vivenciado neste momento. Do ponto de vista do adulto, a verdadeira vontade é a rendição completa do que costuma ser chamado de “vontade” e, portanto, é funcionalmente o oposto. A verdadeira vontade não envolve render-se a outra pessoa, mas a você mesmo, à vida, à sua experiência, à verdade do agora. Render-se à verdade do agora não significa que você vê o que está acontecendo e não se importa. Isso não é rendição. Rendição significa total disposição de estar com a sua experiência, incluindo suas reações emocionais, sejam elas agradáveis ​​ou frustradas. Você está firme na verdade. Outra maneira de ver a verdadeira vontade é entender que se trata simplesmente da sintonização com o que é natural. O que está acontecendo agora é o que é natural para nós. Dizer “não” ao que está acontecendo naturalmente é criar uma vontade falsa e separada, que tem sua própria ideia sobre como as coisas devem acontecer. E, como vimos, isso só pode levar à divisão e ao conflito”.

Desenvolvimento da pérola

Este processo de clarificação – que é o esclarecimento da alma – é o desenvolvimento da Essência Pessoal, o que chamamos de Pérola.

O desenvolvimento da Pérola é um processo que continua avançando em direção a um maior clareamento até que se torne a Suprema Essência Pessoal. Cada estado essencial tornou-se personalizado, à medida que a personalidade se tornou mais clara, à medida que cada aspecto essencial se tornou você.

Você mesmo se torna a realidade pessoal essencial e, portanto, essa realidade pode ser integrada no nível da Pérola. Quando você experimenta a Compaixão, essa Compaixão se torna você. “Eu, pessoalmente, sou Compaixão. Eu sou valor, eu sou a verdade. ” Quando você o possui, não é mais você o experimentando, mas você sabe que é isso.
A personalidade se torna tão permeável que se funde completamente com o aspecto. Isso é o que chamo de personalização do estado essencial. À medida que os aspectos essenciais são personalizados – compaixão, fusão de amor, vontade, paz, valor, identidade e assim por diante – você alcançará uma personalização ainda mais ilimitada, que é a personalização do Supremo. A surpresa é que você sempre foi assim.

Nunca foi diferente. Você sempre foi a pessoa suprema, o tempo todo, em sua própria substância, incluindo a substância da personalidade. É por isso que você sempre se identificou com ele, é por isso que você não pode se desidentificar: é você.

Como você pode se desidentificar disso? Como você pode se livrar disso? Em última análise, é você. Aqui vemos que tentar desidentificar-se da personalidade e viver de uma identidade transcendente é deixar o próprio terreno da realidade que nunca foi verdadeiramente separado da personalidade.
-A.H. Almaas, Diamond Heart Book Four, pág. 13

Absurdos na locação de imóveis – e coitados dos estudantes

Para começar lembremos das locações de veículos, sejam para jovens e qualquer idade – os carros são limpos a cada troca de locador, o carro tem que estar perfeito com exceção de pequenos riscos. E na devolução, especialmente na Localiza, se teve algum evento de pequena monta eles calculam, normalmente, um valor abaixo da franquia.

Agora, trançando um paralelo, já fazemos uma pergunta:

– Qual o motivo do proprietário não arrumar o imóvel após receber inquilino que não foi cuidadoso?

Pergunta séria – não é falta de ética do locador/proprietário/imobiliária um novo inquilino receber um imóvel que não esteja 100% (digo, até pequenos detalhes de tinta estar manchando o rodapé do assoalho, piso de madeira todo riscado!!!!!)

Podemos admitir – aceitar – e não se rebelar – que todo proprietário de imóvel acredite que o inquilino irá destruir seu apartamento, apesar das exigências que constam no contrato de locação. A exigência chega a tal de ponto de pedir 2 demãos de tinta nas paredes e tetos mesmo que estejam perfeitos. É absurdo isso.

E a partir dessa premissa da maioria dos locadores (e a maioria das imobiliárias) que não confiam em nenhum locatário, exigindo como fato comum, que o fiador averbe na escritura do imóvel que o mesmo é garantia de uma locação. O que considero desnecessário, pois o fiador com certeza irá cobrir o valor no caso de o inquilino não pagar. No 5º Andar eles são mais flexíveis no caso de fiador, exigindo tão somente o pagamento antecipado do primeiro pagamento. Claro, apresentando comprovação de renda (que pode ser composta).

Mas vamos ao principal, as condições em que um imóvel é colocado para ser locado – o que as imobiliárias (e o 5º andar) não deveriam aceitar – e que chegam a ser lastimáveis, tem apartamento com mais de 20 observações sobre defeitos no imóvel, como:

Ralos das pias completamente desgastados, e canos de saída da água escuros, antigos (simples e barato de trocar);

Banheiros sem chuveiro!!!! Chuveiros velhos e sem condições;

Torneiras com manopla completamente solta e sem parafuso fixador,

Portas internas e externa faltando as molduras das fechaduras;

Lâmpadas queimadas e lustres em condições precárias (tem proprietário que diz para devolver com as lâmpadas que estavam queimadas;

Armários de banheiro e cozinhas estufados e sem condições, gavetas que não fecham;

Portas, principalmente de banheiros, sem verniz, descascadas, horríveis;

Pisos de áreas desgastados e com manchas terríveis;

Assoalhos de madeiras cheios de frestas, sem reparação da resina;

Armários que já deram cupins e estão com vários tratamentos para evitá-los, fica aquele pozinho no chão – assustador;

Janelas com os plásticos quebrados;

Cheiro de esgoto na cozinha, nos armários sob a pia;

Saída da água das lavadoras sem tampa com terrível odor;

Pinturas que mancharam rodapés, rodapés com distanciamento das paredes – buracos que insetos adoram;

Pisos de banheiro e azulejos em estado deprimente; etc.

Box com portas que não fecham direito;

Acessórios e complementos de banheiros deteriorados e caindo;

Ralos então – socorro!

Limpeza para o dia da entrega das chaves? Longe disso, muito longe – são poucos que tem esse cuidado.

E se for estudante, o desleixo dos proprietários é absurdo. Imaginem 2 ou 3 moças estudantes alugando um apartamento e que não sabem o que fazer, e acabam convivendo nesse estado deplorável, que tristeza! E se pedem desconto ou reparação eles dão de ombros, virá outro que não reclamará.

A lista é imensa, e claro, isento os proprietários honestos que fazem a reforma quando necessário. Tenho amigos que renovam o apartamento de tempos em tempos para receber condignamente os inquilinos. Se os inquilinos (locatários) encontram tudo bonitinho e conservado – com certeza terão mais cuidado, e no contrato é exigido a reparação. Tem imobiliárias e proprietários que já indicam profissionais para pintarem etc. Eles cobram baratinho e não tem cuidado algum.

Mas, não podemos desistir, e sim exigir respeito – Não alugue apartamento sem condições de habilitabilidade minima.

Que relação tem a morte com a vida?


KRISHNAMURTI:

Há separação entre vida e morte?

Por que consideramos a morte como algo separado da vida?

Por que temos medo da morte?

E por que tantos livros têm sido escritos sobre ela?

Por que há essa linha de demarcação entre a vida e a morte?

E essa separação é real, ou meramente arbitrária, uma coisa da mente?

Quando falamos sobre a vida, estamos considerando viver como um processo de continuidade, em que há identificação.

Eu e minha casa, eu e minha esposa, eu e minha conta bancária, eu e minhas experiências passadas, é isso que entendemos por vida, não é?

O viver é um processo de continuidade pela memória, consciente e inconsciente, com suas diversas batalhas, disputas, incidentes, experiências, e assim por diante. Tudo isso é o que chamamos de vida, em oposição a isso, há a morte, que põe fim a tudo. Tendo criado o oposto, que é a morte, e tendo desenvolvido o medo por esta, passamos a procurar a relação entre vida e morte. Se pudermos transpor essa lacuna com alguma explicação, com uma crença na continuidade, no futuro, ficamos satisfeitos. Acreditamos na reencarnação ou em alguma outra forma de continuidade do pensamento e, então, tentamos estabelecer uma relação entre o conhecido e o desconhecido. Tentamos fazer uma ponte entre o conhecido e o desconhecido e, assim, encontrar alguma relação entre o passado e o futuro.

Não é isso que estamos fazendo quando nos questionamos se há relação entre a vida e a morte?

Queremos saber como ligar o viver e o morrer, esse é o nosso desejo fundamental.

Ora, pode o fim, que é a morte, ser conhecido enquanto vivemos?

Se pudermos saber o que é a morte enquanto vivemos, então não teremos mais problema. É porque não podemos experimentar o desconhecido enquanto vivemos porque temos medo dele. Nossa luta é estabelecer um relacionamento com nós mesmos, que somos o resultado do conhecido e do desconhecido, ao qual chamamos de morte.

Pode haver uma relação entre o passado e algo que a mente não pode conceber e que chamamos de morte?

Por que separamos essas duas coisas?

Não é porque nossa mente só pode funcionar na esfera do conhecido, dentro do campo do contínuo?

Um indivíduo só conhece a si mesmo enquanto entidade que pensa, como um
ator, com certas lembranças de sofrimento, de prazer, de amor, carinho, de vários tipos de experiência; ele se reconhece apenas como sendo uma entidade contínua, caso contrário, não teria lembrança de si mesmo como coisa existente. Pois bem, quando essa coisa chega a um fim, que chamamos de morte, há o medo do desconhecido; queremos então trazer o desconhecido para o conhecido, e todo o nosso esforço se dirige no sentido de dar continuidade no desconhecido. Ou seja, não queremos conhecer a vida, que inclui a morte; mas queremos saber como continuar sem nunca chegar ao fim. Não queremos conhecer a vida e a morte, queremos apenas saber como continuar eternamente.

Aquilo que continua não se renova. Não pode haver nada novo, nada pode ser criado naquilo que possui continuidade, o que é bastante óbvio. Somente quando essa continuidade termina, há a possibilidade de surgir algo que é sempre novo. Mas é esse findar que nos aterroriza, e não percebemos que é somente nessa interrupção que pode haver renovação, criação, o desconhecido, e não na transferência contínua, diária, de nossas experiências, lembranças e infortúnios. Só quando morremos a cada dia para tudo o que é velho é que pode haver o novo. Aquilo que é verdadeiramente novo, criador, desconhecido, eterno, Deus, ou como queira chamar, não pode surgir onde há continuidade. A pessoa, a entidade, em seu processo de continuidade, busca o desconhecido, o real, o eterno, mas nunca o encontrará, porque só pode achar aquilo que ela projeta de si mesma, e aquilo que ela projeta não é o real.

Somente no findar, no morrer, pode o novo tornar-se conhecido; e o homem que busca encontrar uma relação entre a vida e a morte, que acha que por meio da continuidade encontrará aquilo que imagina estar além, está vivendo em um mundo fictício, irreal, que afinal é uma projeção de si mesmo.

Então, é possível morrer enquanto vivemos?

O que significa chegar ao fim, tornar-se nada?

É possível, enquanto vivemos neste mundo, em que tudo é ser cada vez mais ou cada vez menos, onde tudo é um processo de escalada, conquista, sucesso, é possível, num mundo assim, conhecer a morte?

Será possível desaparecerem todas as lembranças, não a memória dos fatos, como o caminho para casa, mas o apego interior, por meio da memória, a segurança psicológica, as lembranças que acumulamos, armazenamos, nas quais buscamos a segurança, a felicidade?

É possível pôr um fim a tudo isso, o que significa morrer a cada dia, para que possa haver uma renovação amanhã?

Essa é a única forma de se conhecer a morte em vida. Somente nesse morrer, nesse findar, que coloca fim à continuidade, há renovação, manifesta-se a criação, que é eterna.