A educação e a linguagem total

Luiz Carlos Lisboa escreveu sobre educação: “A força mágica da palavra falada também declinou quase até desaparecer. Toda educação, finalmente, volta-se para o mundo consciente, para a inteligência prática, ficando em segundo plano aquelas percepções que as palavras (em geral) não podem apreender ou fixar. O conjunto de signos que é a escrita distanciou o homem da essência das ideias. Filosofar passou a ser sinónimo de discursar filosoficamente.

A educação, lembra Gutierrez, deve proporcionar técnicas de aprendizagem, autoexpressão e participação. Esse será o caminho para uma mudança que vai transformar os meios de informação em meios de comunicação. Até agora, quando o receptor não pode falar, existe comunicação num único sentido, isto é informação. A educação necessária é a preparação para que a comunicação seja real, isto é, exista nos dois sentidos. Isso não se faz apenas com tecnologia. Pelo contrário, com a técnica, mas sem preparação pessoal, a única possibilidade é o caos. A Pedagogia da Linguagem Total proposta por Gutierrez é a educação da percepção, da intuição e da reflexão crítica. Será esse um interesse do futuro, apenas? O homem contemporâneo é ouvinte passivo, mudo e enfadado, e possivelmente não está sequer interessado na perspectiva de adquirir voz. Essa preocupação com uma linguagem total será prematura?

Em Educação pela Arte, Herbert Read diz que “o frágil curso entre o nascimento e a morte pode acontecer com êxito se toma a forma de um diálogo. Vivendo, interrogamos; ao pensar, falar, fazer, produzir, influir, tratamos de chegar a formular respostas”. As respostas dialogadas são as únicas que valem a pena. As outras, impostas de cima para baixo, em tom professoral, ditas com a autoridade do guru ou da erudição acadêmica, são esterilizadoras e destroem a espontaneidade. As crianças que são inibidas pelo dogma, pela ideia pronta, habituam-se a copiar, repetir. Tornam-se pensadores de segunda mão, excelentes repetidores porque cegos, surdos e mudos quando se trata de ver, ouvir e falar com verdadeira liberdade. A grande maioria das pessoas que conhecemos está nesse caso.

Os sistemas escolares de aprendizagem não podem ficar limitados à escrita, como não podem depender apenas da chamada racionalidade. Os apelos exclusivos à memória, à consciência limitam drasticamente a criatividade. A palavra escrita tem seu papel monumental na História da Civilização Humana, mas isso nos impede de ver os perigos que seu endeusamento encerra. Nossos conhecimentos foram hauridos num sistema de pensamento que põe em primeiro plano a quantidade, o esforço, a memorização, a acumulação de dados. Uma das poucas revoluções possíveis em nossa época é a fuga a essas limitações, em benefício dos adultos que ainda puderem salvar-se, e das crianças que podem percorrer um caminho totalmente novo. Os inimigos dessa abertura são os defensores do pensamento fechado, os dogmáticos, que não se interessam por novas alternativas porque só desejam a consagração de suas fórmulas salvadoras. Para esses, que julgam ter chegado ao fim da linha, já não há estrada a percorrer, e a mera informação é muito mais conveniente que a comunicação, porque um ouvinte mudo é o melhor ouvinte para quem tem tudo a dizer e nada a aprender.”

Krishnamurti: Escutar com o coração

Krishnamurti: “Escutar com o coração é ouvir sem esperar nada, sem querer obter nada em troca.” “A vida tem sua própria linguagem, uma que só o coração pode ouvir. Isto não depende da vontade, de um método ou de algum ritual, inclusive de ir-se a um mosteiro no Himalaia; este escutar se dá, precisamente, no movimento da vida diária.”

Fundación Krishnamurti Latinoamericana: “K.: Escuchar con el corazón no es solo prestar oído a otro. Es escuchar la vida misma, los hechos tal como son, sin la interferencia constante del pensamiento que juzga, compara y analiza.
En esa escucha no hay reacción interna, porque no hay verbalización interna. No es el comentario que la mente hace sobre lo que oye, ni el diálogo que sostiene consigo misma mientras escucha. Va más allá del querer entender desde el análisis, porque analizar es separar, fragmentar lo que se escucha para clasificarlo. La escucha con el corazón no fragmenta.
Ese mismo mecanismo se repite bajo otro nombre: observar. Es común incurrir en decir «voy a observar tal mecanismo en mí», sin advertir que la observación no es intencional ni deliberada; porque, de ser así, esa «observación» que surge del yo es, en realidad, análisis. Aparece algo —una emoción, un conflicto, una palabra ajena— y de inmediato el pensamiento lo toma, lo compara, lo ubica dentro de lo que ya conoce, lo interpreta; es decir, le busca una causa, una explicación, un lugar en el esquema. A ese proceso lo llamamos observación. Pero observar y analizar no son la misma actividad; son, de hecho, acciones totalmente diferentes. Observar es ver sin el centro que compara; analizar es la actividad de ese mismo centro. Cuando el centro está presente, no hay observación: hay análisis disfrazado con el nombre más noble.
En relación con esto, hay una antigua cita: «Oyen, pero no escuchan; miran, pero no ven».”

“Você acha que pode determinar livremente suas próprias ações?” 

Wilhelm Reich:

“…Longe disso: a sua ação consciente é apenas uma gota na superfície de um mar de processos inconscientes, do qual você nada pode saber – e sobre o qual, na verdade, tem medo de saber algo. Você se sente orgulhoso da “individualidade da sua personalidade” e da “abertura da sua mente”? 

O que é isso? Na verdade, você é apenas o brinquedo dos seus instintos, que faz com você tudo o que bem entende, isso, não há dúvida, ofende intensamente a sua vaidade! 

Você ainda crê que a Terra, um entre milhões de planetas, é o único que permite a vida.  Há uma realidade psíquica que se estende muito além da sua mente consciente. Aquele que se afastou do caminho comum se tornou facilmente um Peer Gynt, um visionário, um paciente mental. Não é compreendido.  As pessoas riem dele quando estão fracas.  Tente-o quando estiver forte.

Encarada do ângulo da vida sem couraça, a teoria científica é um ponto de apoio no caos dos determinados vivos. 

No fundo de cada item organizado do meu trabalho havia o sentimento de ser apenas um ponto infinitesimal do Universo.  Para quem voa a uma altitude de mil metros, quão miseravelmente parecerá os carros arrastar-se lá embaixo!

Foi aí que finalmente entendi o meu interesse pelo significado da peça.  Ibsen havia simplesmente dramatizado a miséria do sujeito não convencional. 

De início Peer Gynt tem muitas ideias fantásticas e se sente forte.  Está fora de sintonia com a vida de todos os dias; é um sonhador, um ocioso.  Os outros vão diligentemente à escola ou ao trabalho e riem do sonhador.  Bem no fundo, todos eles também são Peer Gynts.

Peer Gynt sente o impulso da vida, que arremete impetuosamente.  A vida de todos os dias é estreita e exige um método rígido. Temendo o infinito o homem prático se tranca em um pedacinho da terra e procura segurança para sua vida, como cientista, dedica a sua vida inteira, no comércio modesto se ocupa como sapateiro – ele não deve pensar a respeito da vida: vai ao escritório, ao campo, à fábrica; visita aos pacientes; vai à escola.  Cumpre o seu dever e tem a sua paz.  Matou há muito tempo o Peer Gynt que havia nele. 

Pensar é muito cansativo e muito perigoso. Os Peer Gynts são uma ameaça à sua paz de espírito.  Seria muito tentador parecer-se com eles.  Na verdade, ele (o homem prático) está se tornando cada vez mais impotente, mas tem um “espírito crítico”, embora estéril; tem ideologias ou tem uma autoconfiança fascista.  É um escravo, um ninguém, mas a sua raça é uma “raça pura” ou nórdica; ele sabe que o “espírito” governa o corpo e que os generais defendem a “honra”.

Outros se identificam com os sentimentos do filhote de elefante, Peer Gynt está explodindo de energia e de alegria sensual. 

Peer Gynt acabará com o pescoço quebrado com a sua loucura – pois as pessoas cuidarão para que ele acabe com o pescoço quebrado. 

Tudo o mais é loucura e tolice.  Quer conquistar o mundo, mas este se recusa a ser conquistado: tem de ser dominado.  Só que isso é complicado demais, brutal demais.  Os ideais são para os tolos.  Para dominá-lo, precisa-se de conhecimento, de muito conhecimento, completo e irrefutável.  Mas Peer Gynt é um sonhador que não aprendeu nada de “sensato”.  Quer modificar o mundo, e o carrega dentro dele mesmo. 

 Assim era Ibsen, e assim era seu Peer Gynt.  É um drama que só perderá a sua pertinência quando os Peer Gynt finalmente vencerem.  Até lá o bom e o justo serão escarnecidos.”

Comenius e a Didáctica Magna no século XXI

Este livro do Comenius é uma verdadeira obra prima em termos de Educação. Acreditamos que não exista ainda uma Escola que utilize todas as considerações do Comenius. Fizemos pequenos vídeos falando via IA sobre o que cada capítulo considera. Eles estão no canal do YouTube da health.body.spirituality. Entre elas:

Quando as Máscaras Caem?

 As Máscaras que Usamos

Desde que nascemos, o mundo começa a nos vestir com máscaras.

👶 A do “filho perfeito”.

📚 A do “bom aluno”.

👔 A do “profissional exemplar”.

📱 A do “feliz nas redes sociais”.

A gente aprende a trocar de máscara como quem troca de roupa. Cada ambiente pede uma versão diferente de nós. E, sem perceber, começamos a acreditar que somos essas máscaras.

Mas chega um momento — às vezes silencioso, às vezes doloroso — em que algo dentro desperta. É como se uma rachadura aparecesse na superfície perfeita. E aí vem a pergunta que muda tudo:

“Quem sou eu sem essas máscaras?”

É nesse instante que começa o caminho interior. Um processo de desaprender, de soltar as expectativas externas e encarar a essência. Não é fácil — porque ficar sem máscara significa se expor, se mostrar vulnerável. Mas é justamente aí que mora a liberdade.

🕊️ Quando as máscaras caem, sobra o que é real.

E talvez ser você — sem filtros, sem personagens — seja o caminho mais livre de todos.

Sanctuary in the Storm com Hamed e Karen

Com os fundadores da Diamond Approach, A. H. Almaas (pseudônimo de Hameed Ali) e Karen Johnson, para explorar como podemos aprofundar nossa estabilidade interior, permanecer firmes na realização e trazer beleza aos momentos difíceis.

Nesta palestra, você descobrirá:

Como a presença é mais do que um estado momentâneo — é uma força tangível e que nos ancora, apoiando-nos ao enfrentar os desafios da vida
Uma abordagem que integra sabedoria emocional, liberdade espiritual e estabilidade incorporada ao seu dia a dia
Maneiras de nos tornarmos faróis de luz para nós mesmos e para os outros, levando cuidado, empatia e força real a um mundo que precisa disso
Como aprofundar nossa estabilidade interior e permanecer ancorados em nossa realização
Ferramentas divinas para vivenciar a condição humana no mundo incerto de hoje

O principal obstáculo para a plena realização espiritual: o medo

O trabalho espiritual advém, plenamente, em momentos especiais de nosso dia a dia. Porém, para que isso ocorra existem passos importantes e fundamentais. Começando pelo entendimento de que existe um entrelaçamento ou conexão entre o corpo físico e o campo energético, resultando em campo luminoso com várias matizes. Pontuando aqui, dependente ainda do estado de realização interior, em nosso processo de desenvolvimento do ser humano total e em concordância e alinhamento com o ponto central do Universo, na presente e alternada experiência espiritual.

E vem um ponto crucial, ou seja, o equilíbrio psicológico com sua importância capital em todo o processo. O maior entrave nesta consideração é o reflexo do estado de medo e o sentido de proteção e defesa contra ele, quando se armam as defesas e alerta geral em nosso ser.

Claro que, é uma reação involuntária interior e na qual não conseguimos colocar as mãos ou interceder. Esse medo vem desde antes do nascimento, frente as condições do ambiente, familiar etc. do qual cansamos de falar e ouvir por aí. E surgem couraças (Wilhelm Reich) em certas regiões de nosso ser, e tudo em nosso corpo tende a se contrair, ficar rígido. E na respiração não trocamos a quantidade necessária de ar como deveríamos. Como principal obstáculo para a plena realização espiritual consideramos que seja sem dúvidas é o medo.

Nesse sentido, não cansamos de repetir o princípio básico e necessário, ou seja, a importância dos cuidados com as crianças desde seu nascimento, os efeitos do desequilíbrio do seu entorno, seus relacionamentos e sua educação. E muitos Pais e Escolas alternativas se preocupam com a qualidades dos relacionamentos familiares e principalmente no âmbito escolar. Repetindo, por sorte, existem inúmeras escolas pensando diferente e com os pés no século XXI.

Bem, e como ficamos nós adultos? Já passamos por tudo isso, sem desmerecer ou enaltecer nossos relacionamentos desde o nascimento, e todos quiseram fazer o melhor dentro de suas expectativas de vida – e lembrando que todos nós sempre queremos fazer o melhor.

Para seguir um processo espiritual, que é a completude de nosso projeto humano, é necessário analisar e tentar minimizar os efeitos do medo. Temos tanto medo, por receio de não ter o básico para sobreviver, que acumulamos posses muito além do necessário, seja em dinheiro ou propriedades. É interessante observar que num trabalho espiritual efetivo e de realização é falado por muitos que não precisamos nos preocupar com a situação financeira. Agora, alguém somente pode indicar para outros sobre o problema de ficar aprisionado aos bens, sempre pelo medo, quando se livrou efetivamente de tudo. Causado pelo medo da sobrevivência, o maior entrave no processo espiritual são os bens e posses que temos, e o terrível medo de perdê-los.

Soma-se a isso, o medo das broncas dos Papais, críticas de amigos de infância, situações de perigo, professores dos séculos passados, ambiente competitivo no trabalho e até em trabalhos ditos espirituais etc.

É difícil admitir que esse medo e nossos mecanismos de defesa inconscientes criam traumas musculares, dores de cabeça, rigidez muscular. Nosso corpo é rígido e com couraças. E a couraça mais rígida e difícil é a causada pelo medo.

Cada um de nós, pode ter percepção de que algo não vai bem, ou, somos avisados com dores no corpo, na cabeça etc. Ou, acreditamos que vai acontecer alguma mágica para saná-los ou são normais e não tem remédio. Existe aqui um perigo que é o caso de grandes decepções, que podem gerar uma doença muito mais grave, um choque de grande tensão e pode encurtar consideravelmente nossa vida.

É necessário um alinhamento de todos os corpos para a plena e mais constante manifestação de nossa essência mais profunda e primordial.

E temos como medir, seja o princípio básico da consciência que temos andar, se sabemos escutar e falar o estritamente necessário. Dores de cabeça tem que ser interpretada o mais breve. Peça auxílio pois o caminho espiritual solo não é fácil, mesmo com auxílio de algum movimento. É fundamental reconhecer que há apenas um mestre válido e ele está dentro de nós, é a verdade em nós.

E os relacionamentos e principalmente participação em grupo de pessoas que estão buscando o mesmo objetivo essencial interior tem muita importância.

Medo. É difícil acreditar que para aliviar o medo possamos necessitar de uma liberação em nosso corpo físico.

Um auxílio externo pode ser interessante, mas desde que, mantenha sua objetividade na meta. Meta esta que é o trabalho espiritual verdadeiro e interior. Interior com reflexo no exterior. Existe o método da repetição sobre não ter medo, que pode resultar em fortalecimento ou criação de mais uma barreira para não enfrentar olho no olho o que causa o medo, melhor dizendo aceitar as inúmeras ocorrências em nossa vida que resultaram em defesa para sobreviver.

A necessidade básica é manter o corpo saudável do melhor modo possível. O importante é ter sensibilidade suficiente para aproveitar as brechas ou breve iluminação que no afrouxamento de uma couraça ou tensão física surge na prática de exercícios físicos, caminhadas etc.

É muito fácil falar e falar sobre o medo e suas consequências, e duro mesmo é localizar, afrouxar e amar.

Após diversas possibilidades e tentativas você continua com dor de cabeça, cansado, respiração curta etc. E existem alguns caminhos para te auxiliar, e não tenha receio de fazê-lo. Uma terapia reichiana/ análise bioenergética, com profissional sério e aberto ao espiritual, ajuda caso você também esteja aberto para pontuar e aliviar esses pontos de tensão criados automaticamente na defesa contra o medo e consequente liberação para uma respiração mais efetiva. Os exercícios funcionais, dança, RPG etc. também destravam tensões e novamente friso que a efetividade depende da nossa sensibilidade. Outra opção interessante no caso de dores no corpo, cabeça etc. seria usar a Osteopatia, com profissional gabaritado, podendo liberar as tensões e circulação no sistema. A Osteopatia tem como um dos objetivos o de melhorar o funcionamento dos órgãos e vísceras, tentando estabelecer uma boa relação entre eles, entre o sistema estrutural e o sistema nervoso. Esta área da Osteopatia parte do pressuposto de que todos os órgãos, assim como todo o corpo, estão em movimento constante e em sincronia entre si e com todas as estruturas que os rodeiam. Quando essa sincronia é perturbada principalmente pelo medo, estaremos diante de uma disfunção ao nível visceral. Osteopatia também utiliza a aplicação de técnicas manuais ao nível dos ossos do crânio, melhora a mobilidade interna dos mesmos, equilibra tensões musculares, e neuro-vasculares.

Você sabia que um profissional da Osteopatia, além do curso de Fisioterapia tem mais 5 anos de estudos específicos?

O medo, repetindo, faz com que fiquemos retesados muscularmente.

Neste século XXI o relacionamento, já importante anteriormente, tem papel preponderante e ganha intensidade no trabalho interior pelo número de pessoas que estão procurando o caminho espiritual. E o trabalho é mais concentrado quando no grupo todos tem a mesma meta, de liberar a força essencial, caminho para a nova vida.

A possibilidade existe e o tempo corre rapidamente. Fique atento sempre. Toda doença é no fundo mental, e 90% das vezes a cura está próxima. Você tem uma força essencial, ou melhor, tudo ocorre dentro de você. Mergulhar para dentro do ser, o autoconhecimento, será dificultado se não removermos ou deslocarmos as pedras colocadas no caminho pelo medo.