Que relação tem a morte com a vida?


KRISHNAMURTI:

Há separação entre vida e morte?

Por que consideramos a morte como algo separado da vida?

Por que temos medo da morte?

E por que tantos livros têm sido escritos sobre ela?

Por que há essa linha de demarcação entre a vida e a morte?

E essa separação é real, ou meramente arbitrária, uma coisa da mente?

Quando falamos sobre a vida, estamos considerando viver como um processo de continuidade, em que há identificação.

Eu e minha casa, eu e minha esposa, eu e minha conta bancária, eu e minhas experiências passadas, é isso que entendemos por vida, não é?

O viver é um processo de continuidade pela memória, consciente e inconsciente, com suas diversas batalhas, disputas, incidentes, experiências, e assim por diante. Tudo isso é o que chamamos de vida, em oposição a isso, há a morte, que põe fim a tudo. Tendo criado o oposto, que é a morte, e tendo desenvolvido o medo por esta, passamos a procurar a relação entre vida e morte. Se pudermos transpor essa lacuna com alguma explicação, com uma crença na continuidade, no futuro, ficamos satisfeitos. Acreditamos na reencarnação ou em alguma outra forma de continuidade do pensamento e, então, tentamos estabelecer uma relação entre o conhecido e o desconhecido. Tentamos fazer uma ponte entre o conhecido e o desconhecido e, assim, encontrar alguma relação entre o passado e o futuro.

Não é isso que estamos fazendo quando nos questionamos se há relação entre a vida e a morte?

Queremos saber como ligar o viver e o morrer, esse é o nosso desejo fundamental.

Ora, pode o fim, que é a morte, ser conhecido enquanto vivemos?

Se pudermos saber o que é a morte enquanto vivemos, então não teremos mais problema. É porque não podemos experimentar o desconhecido enquanto vivemos porque temos medo dele. Nossa luta é estabelecer um relacionamento com nós mesmos, que somos o resultado do conhecido e do desconhecido, ao qual chamamos de morte.

Pode haver uma relação entre o passado e algo que a mente não pode conceber e que chamamos de morte?

Por que separamos essas duas coisas?

Não é porque nossa mente só pode funcionar na esfera do conhecido, dentro do campo do contínuo?

Um indivíduo só conhece a si mesmo enquanto entidade que pensa, como um
ator, com certas lembranças de sofrimento, de prazer, de amor, carinho, de vários tipos de experiência; ele se reconhece apenas como sendo uma entidade contínua, caso contrário, não teria lembrança de si mesmo como coisa existente. Pois bem, quando essa coisa chega a um fim, que chamamos de morte, há o medo do desconhecido; queremos então trazer o desconhecido para o conhecido, e todo o nosso esforço se dirige no sentido de dar continuidade no desconhecido. Ou seja, não queremos conhecer a vida, que inclui a morte; mas queremos saber como continuar sem nunca chegar ao fim. Não queremos conhecer a vida e a morte, queremos apenas saber como continuar eternamente.

Aquilo que continua não se renova. Não pode haver nada novo, nada pode ser criado naquilo que possui continuidade, o que é bastante óbvio. Somente quando essa continuidade termina, há a possibilidade de surgir algo que é sempre novo. Mas é esse findar que nos aterroriza, e não percebemos que é somente nessa interrupção que pode haver renovação, criação, o desconhecido, e não na transferência contínua, diária, de nossas experiências, lembranças e infortúnios. Só quando morremos a cada dia para tudo o que é velho é que pode haver o novo. Aquilo que é verdadeiramente novo, criador, desconhecido, eterno, Deus, ou como queira chamar, não pode surgir onde há continuidade. A pessoa, a entidade, em seu processo de continuidade, busca o desconhecido, o real, o eterno, mas nunca o encontrará, porque só pode achar aquilo que ela projeta de si mesma, e aquilo que ela projeta não é o real.

Somente no findar, no morrer, pode o novo tornar-se conhecido; e o homem que busca encontrar uma relação entre a vida e a morte, que acha que por meio da continuidade encontrará aquilo que imagina estar além, está vivendo em um mundo fictício, irreal, que afinal é uma projeção de si mesmo.

Então, é possível morrer enquanto vivemos?

O que significa chegar ao fim, tornar-se nada?

É possível, enquanto vivemos neste mundo, em que tudo é ser cada vez mais ou cada vez menos, onde tudo é um processo de escalada, conquista, sucesso, é possível, num mundo assim, conhecer a morte?

Será possível desaparecerem todas as lembranças, não a memória dos fatos, como o caminho para casa, mas o apego interior, por meio da memória, a segurança psicológica, as lembranças que acumulamos, armazenamos, nas quais buscamos a segurança, a felicidade?

É possível pôr um fim a tudo isso, o que significa morrer a cada dia, para que possa haver uma renovação amanhã?

Essa é a única forma de se conhecer a morte em vida. Somente nesse morrer, nesse findar, que coloca fim à continuidade, há renovação, manifesta-se a criação, que é eterna.

O verdadeiro caminho real?

Se quiser trilhar o verdadeiro caminho, lembre-se de que já está nele. O problema é querer estar nele, por onde ir, o que fazer e como fazer – assim já estará completamente fora dele. Interessante falar de algo que não podemos pegar, imaginar, pensar a respeito e muito menos trilhá-lo. Loucura? Sanidade? Não pensar em querer trilhá-lo, deixar que tudo flua – é fácil? E a partir de que ponto?

São vários passos iniciais para o verdadeiro caminho de volta para nossa verdadeira casa, longe e perto, deste mundo de contrastes gritantes e ao pensar no caminho para dentro (ou fora de tudo isso) é desvio, desvario.

Não existe um ponto inicial do verdadeiro caminho espiritual, pois todos os humanos estão em algum ponto do mesmo, tudo é experiência- seja de um lado ou do outro.

Mas, realmente começa a engrenar quando você tem a percepção de que algo não está bem em você ou alguém te dá um toque, na maioria das vezes difícil de aceitar.

Existem vários meios para o equilíbrio central do ser humano, o parar em pé, ficar firme sem estar variando de acordo com o lado para o qual o vento te leva.

Interessantes são as posições de Wilhelm Reich e a aplicação do seu conhecimento com técnica bioenergética (não estou inviabilizando outros meios), onde as couraças podem ser dissolvidas. Essas couraças surgem desde o momento da gravidez, que afetam o pequeno ser que se desenvolve e continua após seu nascimento. É de suma importância esse período até os 7 anos, no qual surgem essas barreiras – por vezes imperceptíveis no dia a dia da vida.

Assim, dissolvendo essas estruturas rígidas em nosso ser, uma nova energia circula livremente e alcançamos o que muitos dizem, um momento psicológico – equilíbrio básico. O ser humano neste ponto estará livre de pequenos problemas que o afetavam ou, em alguns casos grande rocha que trincou e desabou, por ex. num trabalho bioenergético ou de extrema compreensão interna – ao verificar que algo não estava bem e precisaria ser mudado ou dissolvido, neste caso uma tremenda força que não saberíamos definir clareou nossa visão.

E a mudança é perceptível nessa determinada pessoa, e dai ela procura um caminho alternativo de vida, enquanto toca seus afazeres diários, vida em família e no contato com todos – frise-se que ela já não é mais o mesma, pois uma humildade – que se poderia imaginar e sonhar – já faz parte do ser total.

E começa a dar importância ao silêncio que sempre bate a porta, abrindo-a e deixando-o entrar – momentos de Paz. Já começa a pensar em coisas positivas, tipo mergulhar no próprio ser, ir cada vez mais profundamente em seu trilhar interior. E a vida e relacionamentos mudam muito, a olhos vistos.

E vem o Krishnamurti, até então incompreendido em muitas coisas e nos diz que até pensar em meditar, no que meditar, querer ficar em silêncio são também aprisionamentos – pensar num tema para uma meditação ou aprofundamento interior, como queiram. Qualquer pensamento, é desvio do verdadeiro caminhar. E K frisa que o grande laboratório é a vida, que quando chegamos nesse ponto já observamos as pessoas diferentemente, já sabemos ouvir, não escolhemos pessoas para conviver mais (e até desabafar com a mesma) e que nos encha de satisfação – nada disso. É curtir seus afazeres e relacionamentos de modo totalmente impessoal e sem controle de qualquer força que seja. É realmente um ser livre, que toca a vida radiante, mas que não declara isso, e vive com todos. Até saber o que acontece após a morte é algo natural.

Palavras de K: “primeiro, devem purificar completamente sua mente de todos os elementos que se encontram no caminho – toda esperança, todo desejo de continuidade, todo desejo de descobrir o que há do outro lado. Como a mente está constantemente buscando segurança, ela possui o desejo de continuidade e anseios como meio de preenchimento, visando até mesmo uma existência futura”.

“A verdade não é algo para ser adquirido. O amor não pode surgir para aqueles que possuem o desejo de apreendê-lo ou que querem se identificar com ele. Tais coisas, por certo, surgem apenas quando a mente não está buscando, quando está completamente em silêncio, não mais criando movimentos e crenças dos quais se possa depender, ou dos quais possa obter alguma energia, o que constitui um indicativo de autoengano”.

É incrível como K tira o chão de nossos pés – no início ficamos procurando nos segurar, encontrar algo sólido para ter segurança.

O verdadeiro caminho real se inicia a partir do ponto onde não temos mais nada sob nossos pés – a verdadeira liberdade – o amor incondicional.

Pontos de entrevista da Irina Tweedie, sobre seu desenvolvimento espiritual

Irina Tweedie, autora do livro A filha do Fogo, concedeu uma entrevista (já faz um tempinho) sobre seu caminho no desenvolvimento espiritual e que está na integra no site dos Golden Sufis da Califórnia.

Pinçamos algumas ideias apresentadas pela Irina nessa entrevista:

“O ramo Naqshbandi do Sufismo está na Índia há centenas de anos, onde usam palavras como chakras e mantras e todas aquelas expressões indianas. O meu treinamento foi com fogo, o caminho da kundalini, o caminho do fogo”.

Apesar de ter escrito o livro sobre seu desenvolvimento espiritual, Irina Tweedie disse que colocou seu nome como autora, claro, caso contrário os bibliotecários não saberiam localizá-lo: “Mas nós, sufis, devemos escrever anonimamente e é a maneira mais anônima que eu poderia alcançar no Ocidente”.

Sobre seu mestre Sufi: ‘Três semanas antes de morrer, ele disse: “Treinamento espiritual? Besteira! Tudo o que fiz, foi tentar apagar seu ego.” E eu disse a mim mesma: Aquela pequena parte que passei não foi um treinamento espiritual? Fiquei furiosa no momento, mas ele estava certo. O verdadeiro treinamento espiritual começou com meditação profunda, no Himalaia, e continuou”.

Irina cita na entrevista superficialmente que um dos sérios entraves no processo espiritual foi se desapegar do dinheiro, como solicitado pelo seu mestre, pois tinha uma boa quantia deixada pelo marido.

“Então, se alguém vem até mim no princípio do trabalho espiritual, não há nada especial, apenas tomamos chá, estamos juntos e o ambiente é especial, a meditação é linda e isso é tudo o que existe. Aos poucos, eu recebo a instrução de passar a prática para essa pessoa, ou essa prática para outra pessoa, aí eu vou fazendo, só isso. Não há disciplina exterior, é apenas uma reunião feliz de pessoas, e muitas risadas e muitas piadas. Eu me lembro, bem no começo tinha um evangelista americano, segundo minha análise, e ele tinha uma esposa muito linda, ela costumava vir até nós, porque a Margaret a trouxe aqui no começo. E então, ele veio uma ou duas vezes para ver onde sua esposa estava indo e ele não gostava disso, e ela costumava vir, mas ele imaginava que era inofensivo o suficiente para não dizer nada. E um dia, estávamos contando piadas, eu estava com disposição para contar piadas francesas. E então, Irene foi para casa e ele disse a ela “o que você tem feito?” Ela disse “Oh, a Sra. Tweedie estava contando piadas francesas.” Ele disse “O quê!” Desde então, ele não permitiu sua ida. Eu ri e ri. Esta é a reunião Sufi, você vê.”.

“Eu sou como um rádio. Eu apenas passo adiante. Foi você quem fez isso, eu também fiz, juntos fizemos

E outra parte da longa entrevista, diz Tweedie: “A meditação não é meditação em si. Somos muito semelhantes ao Zen Budismo. Sentamos sem sentar, andamos sem andar, meditamos sem meditar. É um estado de ser, realmente é um ser. Se você disser a um ser humano “pare a mente” – nada acontecerá. Nossa meditação deve nos levar além da mente, para a quietude completa. Portanto, estritamente falando, não é uma meditação. É um estado de ioga para acalmar a mente, isso é realmente eficaz, tentamos deixar a mente para trás completamente. Então existe, posso dizer que existe, um método que é dado a todos. O corpo está completamente relaxado, qualquer posição é permitida, você pode deitar, sentar, sentar de pernas cruzadas, mas sentar de pernas cruzadas é realmente o melhor. E completamente relaxado, para que você possa esquecer o corpo físico”.

“Como somos feitos à imagem de Deus, há um lugar em nossos corações onde só Deus reside, o lugar dele, reservado apenas para ele. Vou te dar uma prova de que é verdade. Quando você ama, ama profundamente outro ser humano, profundamente mesmo, em algum lugar você sentirá que ainda está sozinho, e esse ser humano muito amado não tem acesso. Aconteceu comigo quando amei tanto meu marido. Eu dizia que estava realizada. Eu o amava, éramos muito felizes. Mas em algum lugar existe, digamos, essa saudade, em algum lugar estou sozinho, o que é? Este é o lugar que ele reservou para si mesmo. Porque você e eu e todos os outros somos feitos à imagem dele. A imaginação é uma coisa muito divina no ser humano, é muito útil. Devemos imaginar que vamos fundo – dentro de nós mesmos. Mais e mais fundo e bastante profundo. Lá encontraremos este lugar, onde há quietude, paz e acima de tudo amor. Deus é amor, o ser humano é todo amor, só o humano o esqueceu há muito tempo. Levaria alguns dias para encontrar esse lugar. Quando encontrarmos este lugar, deveremos fazer uma segunda imaginação. Estamos no lugar, e esse lugar está, obviamente, no coração. Sentamos nesta câmara silenciosa – em nosso coração, corpo físico e tudo, estamos ali rodeados pelo amor de Deus. Somos amados, estamos seguros e nada fica do lado de fora, nem mesmo um fio de cabelo, tudo está lá. Essa é a segunda imaginação. E então, é claro, enquanto estamos tentando encontrar esse lugar, nossa mente não atrapalhará, porque a mente gosta de fazer algo. Mas quando estamos sentados, os pensamentos vêm à sua mente. Esqueci uma coisa ontem, tenho que fazer alguma coisa amanhã, ou tenho que fazer um telefonema e assim por diante. Basta fazer a terceira imaginação. Imaginando a coisa, você pega esse pensamento e o afoga no amor. E se for bem feito, o pensamento deve desaparecer e não há nada ali. E realmente irá embora, porque o sentimento de amor que você gera ao estar no lugar do amor é muito mais dinâmico do que o pensamento – esse pensamento realmente se dissolverá. Então essa é a prática”.

”Mas o ser humano que acabou de chegar a mim e talvez nem tenha uma ideia da vida espiritual, você pode dizer – você provavelmente pode apenas acalmar sua mente, tenho certeza que pode – mas esse é um dos métodos. Não digo que seja o método, seria estúpido. Não existem estradas reais para Deus. Cada método é igualmente bom. O método zen é bom, o método da kundalini é o mesmo, raja ioga, todos eles irão guiá-lo se você for sincero e se o fizer, faça. Se você não fizer isso, bem, nenhum método ajudará”.

O mestre da Irina costumava dizer, segundo ela ainda na entrevista: “Deixe o homem em paz e ele encontrará Deus à sua maneira.” E prossegue Irina: “Não me diga que você tem que sentar nesta posição, você tem que fazer isso, tem que meditar dessa maneira. Apenas faça essa prática – para tentar encontrar esse lugar dentro de você. O resto virá sozinho. O objetivo principal é livrar-se de todas as técnicas”.

Ela diz que devemos deixar os dogmas e condicionamentos e querer envolver outros na sua ideia de alimentação, da vida etc. E diz que uma vez o mestre disse para ela ir para outro lugar (no processo espiritual) provavelmente refrescar o ser em geral: “perguntei a ele se deveria permanecer vegetariana. Ele disse: “Vou deixar isso para a sua discriminação”. E tudo o que eu pedisse a ele, dizia: “Vou deixar para você”. Portanto, toda a responsabilidade era totalmente minha”.

“Nós somos os árbitros de nosso destino. Veja, o Sufismo não é uma religião e nem uma filosofia. Eu gostaria de enfatizar isso. É um caminho para Deus. Essa é uma declaração importante. E onde quer que eles fossem, em cada país, eles assumiam a cultura daquele país, aquela parte da cultura que lhes convinha, é isso. Então, se eles forem para o Japão, eles usarão expressões japonesas e meditações japonesas, eu imagino, porque o princípio é deixar o homem sozinho e apenas lhe dar um pouco de orientação, e ele o encontrará sozinho, de qualquer maneira. Todas essas coisas não são muito importantes”.

Os onze princípios do caminho Naqshbandi 7-11:

  1. Atenção (Nigâh dâsht)
    Confronte todo pensamento estrangeiro. Esteja sempre ciente do que você está pensando ou fazendo, para que você coloque o selo de sua imortalidade em todos os eventos e em todos os momentos da sua vida diária. Fique acordado. Veja o que atrai sua atenção. Aprenda a retirar sua curiosidade de objetos indesejáveis. Nigah significa visão. O buscador espiritual deve cuidar de seu coração e protegê-lo, evitando a entrada de pensamentos errados. Más inclinações impedem a coração se unir à divindade. Ser Sufista é ter capacidade para proteger o coração de pensamentos negativos e baixas inclinações. Alguém é considerado um verdadeiro sufi quando é capaz de proteger seu coração de tendências negativas por um período de quinze minutos. O Profeta Muhammad disse que “quem se conhece – conhece Seu Senhor”. Sa’d ud-Din Kashgari disse: “O buscador deve, por uma hora ou duas, ou pelo tempo que for capaz de parar sua mente e impedir que pensamentos entrem [exceto de Deus]. [Pensamentos] poderiam ser comparados a cereal que caiu na corrente, mas não impede que a água continue sua curso”. ‘Abd ul-Khaliq Ghujduwani disse: “Não é que os pensamentos nunca entrem no coração / mente, mas há momentos em que eles entram e momentos em que não entram”. ” O julgamento parece ser apoiado pela opinião de Khwaja ‘Ala al-Din al-‘Attar que disse: “Ter sucesso é difícil e até impossível. Evitei pensamentos [em meu coração / mente] por vinte anos, após os quais eles continuaram aparecendo, mas não conseguiram encontrar um lugar “.
  2. Lembrança contínua de Deus / invocação permanente (Yâd dâsht)
    É a consciência permanente da presença de Deus. É “a experiência completa de contemplação divina, alcançada através da ação do amor objetivo “. Aqueles que andam no caminho sustentam que quando o amor interior está sempre presente em nossas trocas com o mundo, então alcançamos o estado consciente. Este é o último estágio antes da transformação completa. O buscador espiritual percebe que a perda de seu “ego” será compensada pelo amor objetivo. Em Rashahat-i ‘ainal-Hayyat diz: “Alguns disseram que Yad Dasht é uma percepção, uma capacidade de testemunhar o real no coração através do amor essencial “. Obeid Ullah Ahrar disse: “Yad dasht é uma expressão que se refere à permanência da consciência da Verdade Gloriosa “. E acrescentou:” Significa estar presente [em Deus] sem desaparecer”.
    Deus, você é meu único verdadeiro alvo!
  3. Percepção do estado mental / tempo de uma pessoa (Wuqûf-i-zamâní)
    Baha ad-din Naqshband disse que esse conhecimento é o criador e guia do discípulo, e explicou: “Wuquf-i-zaman é o verdadeiro trabalho do viajante na trilha: fique atento ao seu estado e saiba se é motivo para agradecer ou arrepender-se, agradecer durante o sentimento de alegria e arrependendo-se quando há secura ou contração espiritual”. Ele também declarou: “A base do trabalho do buscador espiritual é estabelecida na [prática] consciência do tempo, verificando a todo momento se aquele que percebe o respirar, respira com presença ou esquecimento. Jami em Resalah-i-nuria disse: “Wuquf-i-zamani é um termo que significa levar em conta os tempos em que se gasta em [estado de] dispersão (tafriqah) ou lembrança (jam’iyyat)”.
  4. Consciência numérica (Wuqûf-i-adadí)
    É um termo que significa observar o número de repetições de dhikr (lembrança de Deus na respiração). Segundo Baha ad-din Naqshband, “a observação do número de repetições do dhikr do coração é reunir os pensamentos ou atividades mentais que são espalhados “. Para Khwaja ‘Ala al-Din al-‘Attar “, o importante não é o número de repetições, mas a calma e a consciência com que se faz “. Para Baha-ad din Naqshband, essa consciência é o primeiro estágio de entrada no mundo espiritual. Para discípulos avançados, essa técnica, que facilita os estágios iniciais de aquisição de intuição e aspiração interior, dá consciência da unidade na diversidade: essa diversidade e expansão nada mais é do que uma exposição. O Único se manifesta na Todo. Se você olhar com os olhos abertos, verá que a diversidade não passa de unidade. Apesar de manifestação ocorre em números, a substância é apenas uma.
  5. Consciência do coração (Wuqûf-i-qalbí)
    O coração toma consciência de Deus. Isso marca o despertar do amor divino. Khwaja Ubaydullah Ahrar disse: “Wuquf-i-qalbi é quando a presença e consciência do coração em direção à Verdade Mais Alta [Realidade] é sentida de tal maneira que o coração não sente necessidade de nada, exceto o Real “. A consciência do coração é experimentada quando o coração do caminhante repousa sobre o Amado, como se nada e mais ninguém existisse. Outra interpretação é que há consciência do próprio coração.

Os onze princípios do caminho Naqshbandi 5 e 6:

  1. Memória de Deus (Yâd kard)
    É a concentração na Presença Divina. Para Naqshbandiyya, a lembrança de Deus é praticada no dhikr silencioso. Mantenha Deus, o Amado, sempre em seu coração e deixe sua oração, o dhikr, ser a oração do seu coração. Segundo Khwaja Ubaydullah Ahrar, “o verdadeiro significado de dhikr é o reconhecimento interno de Deus. O objetivo do dhikr é atingir esse nível de consciência”. O objetivo do dhikr é manter, com amor e devoção, o coração e a atenção do buscador concentrada totalmente no Amado. Dhikr (lembrança de Deus na respiração) se repete não apenas em palavras, mas no coração.
  2. Retorno (da distração), retorno (Bâz gasht)
    Retorno a Deus. Isso significa banir e dissipar todos os pensamentos, bons ou ruins, que surgem involuntariamente à mente durante o dhikr. Enquanto houver espaço no coração para outros interesses, essa satisfação serena não pode tomar forma. Embora essa serenidade não possa ser alcançada no princípio, é necessário persistir. O significado de baz gasht é retornar a Allah – o Exaltado e Todo-Poderoso – mostrando rendição completa e submissão à Sua Vontade, e louvando-o com completa humildade dando todo o devido louvor a ele. A razão, mencionada pelo Santo Profeta em sua invocação, ma dhakarnaka haqqa dhikrika ya Madhkar (“Não o lembramos como você merecia ser lembrado, ó Allah “), é que o buscador não pode alcançar o presença de Allah em seu dhikr, nem ele pode manifestar os segredos e atributos de Allah em seu dhikr, se ele não fizer o dikhr com o apoio de Allah e com a lembrança de Allah. Como Bayazid Bistami “O buscador não pode fazer dhikr sozinho. Ele deve reconhecer que Allah é quem faz o dhikr através de você. Segundo Khwaja Ahrar, o termo “retorno” significa que temos dentro de nós o objetivo do nosso esforço. As sementes da transformação são semeadas em nós de cima, e devemos valorizá-los acima de todas as outras posses.

Os onze princípios do caminho Naqshbandi – 4

4. Solidão na multidão (Khalwat dar anjuman)

Existem dois tipos de reconhecimento: externo – em que o peregrino, longe das pessoas, medita em seu cubículo até entrar em contato com o mundo espiritual, em que os sentidos externos se retraem e os sentidos Internos sem abrem à percepção dos sinais do mundo espiritual; interno ou esotérico – onde o caminhante espiritual atesta internamente os segredos do Real enquanto cercado externamente de pessoas. Khalwat dar anjuman segue o segundo tipo: estar externamente com pessoas e internamente com Deus.

Em todas as suas atividades externas, permaneça livre internamente. Aprenda a não se identificar com nada ou com ninguém.

Quando o estado de absorção na memória de Deus é constante e completo “alguém poderia percorrer o mercado sem ouvir uma única palavra'”.

Como disse um Profeta: “Eu tenho dois aspectos: um olha para o meu Criador e o outro olha para a criação”.

Nas palavras de al-Kharraz: “a perfeição não está no exibicionismo de poderes milagrosos, mas a perfeição é sentar-se entre as pessoas, vender, comprar, casar, ter filhos; e ainda assim, nunca deixe a presença de Allah nem por um instante”.

” Em constante comunhão com o Amado dentro de você,
e um estranho para o mundo.
Aqueles dotados de tanta beleza
são realmente raros
nesse mundo”.

Os onze princípios do caminho Naqshbandi (2 e 3)

2. Preste atenção ao seu passo (Nazar bar qadam)

Constantemente, siga em direção ao seu objetivo.

Sa’d ud-din Kashghari acrescentou: “Prestar atenção a cada passo que se dá significa que quando o buscador espiritual se move de um lugar para outro, ele deve atender apenas ao pé que dá o passo, sem se distrair com o seu olhar”.

 “Quando a atenção do iniciante é atraída por cores e formas fora de si, seu estado de memória se desvia e se corrompe, e o caminhante perde seu objetivo. Isto é porque, no início da jornada espiritual, o buscador ainda não tem o poder de “lembrar-se do coração “, então quando sua visão cai sobre os objetos, seu coração perde a conexão e sua mente fica dispersa”.

Manter o ritmo também é prestar atenção às circunstâncias, sentir quando é o tempo indicado para a ação, quando é o tempo de inação e quando é necessária uma pausa. Alguns disseram que o Nazar bar qadam é uma expressão que se refere à sabedoria natural da própria disposição.

Fakhr ud-Din Kashifi comentou: “Nazar bar qadam faz alusão ao caminho que o peregrino passa nos estágios de desapego de sua existência e do abandono do seu egocentrismo e egoísmo”.

3. A viagem de volta para casa (Safar dar watan)

A jornada para o seu Lar. Lembre-se, de que você está saindo do mundo da ilusão para o mundo da realidade. A viagem de volta para casa é a transformação, que tira os seres humanos de seu estado de sonho subjetivo, para cumprir o seu destino divino.

No Rashahat-i ‘ayn al-haya, diz: “A jornada que o buscador o espiritual realiza dentro de sua própria natureza humana. Em outras palavras, passa das qualidades humanas às angélicais, trocando o repreensível pelo louvável “.

O xeque Ahmad Sirhindî (1624) comentou: “Esta expressão abençoada [em turnê pela terra natal] significa viajar dentro de si. A fonte do resultado está em colocar [prática] o que termina no começo, que é uma das características do Caminho Naqshbandi”.

Safar dar watan significa viajar dentro de si mesmo, observando-se, examinando-se as próprias reações e ver como elas agem em você.

Isso reflete a importância que o Caminho Naqshbandi atribui aos estados e processos internos. Seja um residente do lado de fora e deixe seu coração viajar. Viajar ‘sem pernas’ é a melhor maneira de viajar.

Os onze princípios do caminho Naqshbandi

Os oito primeiros princípios são de Abd ul-Khaliq Ghujduwani e
os 3 últimos adicionados por Baha ad-din Naqshband:


1. Esteja ciente da respiração / consciência do momento presente

Bahâ’ud-dîn Naqshband disse: “A base do progresso nesse caminho é baseada na respiração. Quanto maior a capacidade de ter consciência da própria respiração, mais força terá sua vida interior. O estado do momento atual de alguém deve ser observado a cada respiração, sem se distrair pensando no passado ou no futuro. Ao inspirar e expirar, o intervalo entre as duas respirações deve ser observado, para que nem a inspiração nem a expiração ocorram descuidadamente”.


Enquanto o buscador ou peregrino espiritual estiver vigilante no momento presente, por exemplo, lembrando-se de sua respiração, sua atenção será fixa e focada em cada respiração, até que termine.


O xeque Abul Janab Najmuddin al-Kubra em seu livro Fawatih al-Jamal escreveu “Quando respiramos, a cada inspiração e a cada expiração nós fazemos o som “ha”. Este é um sinal da Essência Invisível que enfatiza a Unidade de Deus. Portanto, é necessário estar presente e consciente da respiração, para alcançar a realização da Essência, do Espírito do Criador”.

Baha-ud-Din Naqshband Bukhari (1318–1389) was the founder of what would become one of the largest and most influential Sufi Muslim orders, the Naqshbandi.

Aldous Huxley, prefácio do livro: “A primeira e a última liberdade”.

Aldous Huxley escreveu o prefácio do livro do Krishnamurti: “A primeira e a última liberdade. É uma reflexão interessante sobre o verdadeiro e profundo caminhar espiritual.

”As soluções coletivas, nas quais tantos depositam sua fé, nunca serão adequadas. “Para entender o sofrimento e a confusão que existem dentro de nós mesmos e, por conseguinte, no mundo, precisamos primeiro encontrar clareza dentro de nós mesmos, e essa clareza surge mediante um pensar correto. Ela não pode ser organizada, pois não pode ser substituída por outra. O pensamento de um grupo organizado é meramente repetitivo. A clareza não é o resultado de uma afirmação verbal, mas da profunda autopercepção profunda e um pensamento correto.  intelecto, ou mesmo conformidade com um padrão, por mais digno e nobre que seja. O pensamento correto surge a partir do autoconhecimento. Sem compreender a si mesmo, você não tem a base para esse pensar; sem o autoconhecimento, o que se pensa não é verdadeiro’

“Há esperança nos homens, não na sociedade, não em sistemas, sistemas religiosos organizados, mas em você e em mim.” As religiões organizadas, com seus mediadores, seus livros sagrados, seus dogmas, suas hierarquias e rituais, oferecem apenas uma solução falsa para o problema fundamental. “Quando você cita o Bhagavad Gita, ou a Bíblia, ou algum livro sagrado chinês, está apenas repetindo algo, não é? E o que se está repetindo não é a verdade. É uma mentira; porque a verdade não pode ser repetida “. 

Uma mentira pode ser ampliada, proposta e repetida, mas não a verdade.  A verdade, quando você a repete, ela deixa de ser verdade e, por esse motivo, os livros sagrados não são importantes. É por meio do autoconhecimento, não pela crença nos símbolos de outra pessoa, que um homem chega à realidade eterna, na qual seu ser tem seu fundamento…

A primeira e a última liberdade

Uma educação que nos ensina não como pensar, mas sim o que pensar, é uma educação que demanda uma classe governante formada por pastores e mestres. Mas “a própria ideia de liderar alguém é antissocial e antiespiritual”… 

Ao homem que a exerce, a liderança traz a satisfação pelo desejo de poder; e para aqueles que são liderados traz a satisfação do desejo de certeza e segurança…

A autopercepção sem escolha nos conduzirá à Realidade criadora que subjaz a todas as nossas destrutivas crendices. Ela nos levará à serena sabedoria, que nunca está ausente, apesar de nossa falta de percepção, apesar do conhecimento que possa acumular, que é apenas outra forma de ignorância. O conhecimento envolve símbolos e é, com frequência, um obstáculo à sabedoria, à descoberta do eu momento a momento. A mente que alcançou a quietude da sabedoria “compreenderá o estado de ser, saberá o que é amar. O amor não é pessoal nem impessoal. O amor é amor, não é para ser definido ou descrito pela mente como exclusivo ou inclusivo. O amor é sua própria eternidade, é o real, o supremo, o imensurável”.

Aldous Huxley viveu a parte final de sua vida na Califórnia, tendo por muitas vezes se encontrado com Krishnamurti. Faleceu em 1963 depois de 3 anos com um câncer, e, a seu pedido, nos últimos momentos de vida sua esposa aplicou uma dose de LSD, cuja utilização era permitida na Califórnia na época (a pedido do próprio Aldous). Com visão tão ampla do caminho espiritual, Aldous nos faz pensar sobre este acontecimento final de sua vida.

E concluir que devemos estar atentos o tempo todo, e sempre lembrar que a vida é a maior mestra que temos. Tudo está ocorrendo neste momento, não podemos ficar esperando ou recordando, mas sim vivendo em total abertura para o novo em nós – uma porta se abre e temos que cuidar para que não feche, só isso.

Total Freedom

Queremos formatar tudo, colocar em fôrmas, etc. Em tudo queremos e pensamos: meditar, silenciar, viver o vazio, nos libertar, etc. Acontece que não precisamos pensar em nada, querer nada, buscar nada, falar nada – já está acontecendo, veja bem, está acontecendo simplesmente – e ficamos procurando, procurando – mas já existe e está em atividade e é só parar de reagir e procurar, dentro e fora – fora e dentro. Simples assim.

Hamed Ali:

‘O giro da roda, com as implicações inerentes à visão não-dual, abre possibilidades totalmente novas de experiência.  Passaremos algum tempo explorando essas novas fronteiras examinando a natureza do tempo e do espaço, o papel de um indivíduo em particular, o paradigma do não-fazer e os vários mistérios do vazio – tudo sob a perspectiva da totalidade.  O que é revelado quando fazemos isso é que a realidade é muito mais indeterminada, muito mais misteriosa do que qualquer coisa que possamos conceber.  Nenhuma visão única – seja dupla, não dual, unilocal ou qualquer outra coisa – pode capturar o dinamismo da realidade.  Liberdade é a liberdade da realidade para revelar seu dinamismo, para se expressar como forma, como falta de forma, como ambas, ou como nenhuma.  Nenhuma característica única e nenhuma combinação de características pode esgotar o potencial da realidade.  É um mistério sem fim.  A realidade está sempre se revelando, conhecendo a si mesma;  e conhecer a realidade e vivê-la se torna a realização da nossa vida.  A pureza da realidade se expressa para nós, através de nós e como nós, ao mesmo tempo.  Nossa vida se torna a vida da verdadeira natureza – a pureza no coração da realidade – vivendo conscientemente e se expressando como nós, por nós, sendo nós.  Este é o coração milagroso da liberdade humana”.