Doukhobors – 1

Uma reportagem de outubro de 2014, feita pela jornalista Gabrielle Tetrault-Farber, no The Moscou times, sobre os Doukhobors, povo que acredita no caminho espiritual interior, recorda o que ocorreu com esse povo no passado. A reportagem é sobre um casal que voltou do Canadá para viver novamente na Rússia (você vai entender melhor lendo a reportagem abaixo) e exatamente no local onde morou (e tem o museu de Leo Tolstoy): Yasnaya Polyana, localidade próxima da cidade de Tula, na Rússia. Veja, é uma reportagem de 2014: Elaine e Alfred, descendentes dos Doukhobors e que seguem seu ensinamento. A seguir trecho da reportagem, que fala também sobre o auxílio do Tolstoy:

Os Doukhobors surgiram no século 18, por não aceitarem as práticas da Igreja Ortodoxa Russa. Acredita-se que o nome do grupo tenha sido cunhado pelo arcebispo Ambrosius de Moscou, que em 1785 apelidou de seus membros “Dukhobortsy”, que literalmente significa “lutadores espirituais”. A Igreja Ortodoxa viu-os como incompatíveis com o Espírito Santo. Os Doukhobors aceitaram o nome, mas lhe deram a sua própria interpretação: “iria” lutar contra a injustiça, com a força de seu espírito, e não com força. (veja que interessante, como tem tudo a ver com Tolstoy)

Os Doukhobors viviam simplesmente, rejeitavam ícones e a Bíblia como ensinamentos literais e acreditavam que Deus habita em todo ser humano. Como pacifistas convictos, eles se recusaram a lutar pelo czar, apesar dos decretos na década de 1820 que os forçaram a se inscrever e adotar o cristianismo ortodoxo. Os Doukhobors foram perseguidos em grande escala e a maioria de sua população, que totalizava vários milhares, foi exilada para o Cáucaso e a Sibéria.

Espíritos de Kindred (quando duas pessoas fazem uma conexão especial, compartilhando um vínculo, uma experiência que os atraiu e juntou em um nível mais alto de consciência)

Ao ouvir as dificuldades dos Doukhobors em 1894, Tolstoy ficou intrigado com o estilo de vida, o pacifismo e a rejeição às instituições da Igreja Ortodoxa. A filosofia de Doukhobors, ele percebeu, era semelhante à sua.

“Os Doukhobors foram submetidos à flagelação, encarceramento e todo tipo de torturas em batalhões disciplinares, dos quais muitos morreram”, escreveu Tolstoy em um apelo para aumentar a conscientização sobre sua situação em 1898. “Eles me pediram para ajudá-los, e então considero meu dever dirigir-me a todas as pessoas boas, russas e da sociedade europeia, pedindo-lhes que ajudem os Doukhobors a sair da situação dolorosa em que eles agora se encontram”.

Tolstoy teria doado $ 17,000 de seus ganhos de seu último romance, “Ressurreição”, para reassentar os Doukhobors no Canadá. As famílias de Elaine e Alfred estavam entre as que se beneficiaram da generosidade de Tolstoy.

“Tolstoy e os Doukhobors tiveram uma relação simbiótica”, disse Andrew Donskov, um estudioso de Tolstói na Universidade de Ottawa. “Os Doukhobors precisavam da ajuda de Tolstoy para deixar a Rússia, e Tolstoy – que era muito pragmático – e precisava dos Doukhobors para servir como um exemplo de seus ensinamentos”.

Em 1899, cerca de 7.500 Doukhobors (do Cáucaso do Norte – parte norte da principal cadeia das montanhas do Cáucaso até as planícies do Sul da Rússia onde está a cidade de Tula), um terço da comunidade, emigraram para o Canadá. O filho mais velho de Tolstoy, Sergei, acompanhou 2.300 deles na viagem transatlântica de 23 dias para Halifax. Os Doukhobors seguiram então para as províncias central e ocidental de Saskatchewan, Alberta e British Columbia.

Hoje (2014), há entre 30.000 e 40.000 pessoas da descendência de Doukhobor no Canadá, de acordo com a biblioteca e os arquivos federais do país. No censo canadense de 2011, 2.290 indivíduos descreveram sua fé como “Doukhobor”. Os Doukhobors do Canadá estão integrados na sociedade, mas mantêm suas tradições através de músicas espirituais de língua russa.

Elaine e Alfred cresceram lendo e escrevendo russo, e depois de 14 anos aqui, agora são fluentes no idioma, embora suas raízes estrangeiras sejam audíveis em seu discurso. Elaine, 67, disse que às vezes é levada para um ucraniano. “Meu pai sempre dizia:” Po-russki, po-russki! ” (“Diga isso em russo, em russo!”) “, disse Elaine, que dirige duas escolas de inglês em Moscou. “Nós sempre fomos encorajados a falar russo. A linguagem era parte de como mantivemos nossas tradições vivas”.

Eles e seus filhos (que se formaram no Canadá) residem na Russia.

“Eu percebi que faltava alguma coisa na minha vida no Canadá”, disse Elaine. “Minha alma russa não estava ligada lá. E você não pode se afastar de uma alma russa”. “Os Doukhobors construíram estradas e celeiros no Canadá, mas ainda me senti um pouco como um estrangeiro lá”, disse Alfred. “Quando eu voltei para a Rússia, eu realmente me senti em casa. Eu vivi metade da minha vida no Canadá. Por que não viver a outra metade aqui?”

Durante vários anos, os Podovinikoffs dividiram seu tempo entre Moscou e Tula, que eles usaram como base para construir sua casa no coração do local de nascimento de Tolstoy, Yasnaya Polyana.

Alfred lembrou apenas um incidente. Muitos anos atrás, um sacerdote ortodoxo chamou-o de “pecador” por ser um Doukhobor. “Eu não sou pecador”, ele respondeu ao padre. “Os pecadores são aqueles que ensinam nossos jovens a matar e aqueles que os abençoam”.

E com isso, Alfred fez o que qualquer Doukhobor faria: continuou no caminho.

Leo Tolstoy: não usar a violência como resistência.

Leo Tolstoy (Lev Nikolaevich Tolstoy) nasceu em Yasnaya Polyana, propriedade da família próximo da cidade de Tula, Russia, que ficava a 200km  de Moscou. Fundou a escola Yasnaya Polyana, em sua propriedade (vídeo no final deste post). Na primavera de 1861, Tolstoi voltou para Yasnaya Polyana e retomou seus esforços para promover o crescimento de sua escola:

  • a educação não pode e não deve ser obrigatória, mas deve crescer organicamente dentro da experiência de vida das próprias pessoas.
  • O método de instrução mais conveniente para o professor é menos conveniente para os alunos. O único caminho certo de ensino é o que é satisfatório para os alunos.
  • Não temos iniciantes … como qualquer organismo vivo, a escola não só varia com cada ano, dia e hora, mas também está sujeita a crises temporárias …
  • Ao oferecer aos alunos apenas um número mínimo de idéias, eles poderiam continuar em seu próprio caminho literário. Este método não obrigatório de ensino de escrita levou a várias coisas: os meninos não só completaram a tarefa, mas também expressaram um profundo interesse no processo de redação.

Seus clássicos devem ser lidos obrigatoriamente :War and Peace (1869) and Anna Karenina (1877). Existem filmes sobre os 2 livros.

Fez um tratado para a não violência, a não resistência do ensinamento cristão. Influenciou diretamente Mahatma Gandhi com essas idéias, que constavam de seu importante livro The Kingdom of God Is Within You – O Reino de Deus está em vós.

Cabe dizer que este livro esteve proibido por muito tempo. Em 1908, Tolstoi escreveu uma carta a um hindu, descrevendo sua crença na não violência como meio para que a Índia ganhasse a independência do domínio colonial britânico. Em 1909, uma cópia da carta foi lida por Gandhi, que trabalhava como advogado na África do Sul na época e apenas se tornando um ativista. A carta de Tolstoi foi significante para Gandhi, que escreveu para Tolstoi buscando provas de que ele era o verdadeiro autor, levando a uma maior correspondência entre eles. Ler o livro o Reino de Deus está dentro de vós, de Tolstoi, também convenceu Gandhi a evitar a violência e defender a resistência não-violenta, uma dívida que Gandhi reconheceu em sua autobiografia, chamando Tolstoi de “o maior apóstolo da não-violência que a era presente produziu”. A correspondência entre Tolstoi e Gandhi só duraria um ano, de outubro de 1909 até a morte de Tolstoi em novembro de 1910. Além da resistência sem violência, os dois compartilharam uma crença comum nos méritos do vegetarianismo, assunto de vários ensaios de Tolstoi.

Tolstoi também se tornou um grande defensor do movimento esperanto. Tolstoi ficou impressionado com as crenças pacifistas dos Doukhobors e levou a perseguição à atenção da comunidade internacional, depois que eles queimaram suas armas em protesto pacífico em 1895. Ele ajudou os Doukhobors a migrar para o Canadá. Em 1904, durante a Guerra Russo-Japonesa, Tolstoi condenou a guerra e escreveu ao sacerdote budista japonês Soyen Shaku numa tentativa fracassada de fazer uma declaração pacífica conjunta.

Onde viveu:

E tem um filme que tenta retratar o final da vida de Tolstoy:

E você se deixa levar nesta viagem…

te chama junto ao rio
Você vai ouvir os barcos que passam
Fique na noite ao seu lado
Dizem que ela é meio louca
Mas você quer estar lá
E ela te alimenta
Com chá lá da China
E você apenas pode lhe dizer
Com que amor retribuo
Então ela te leva no movimento das águas
E o rio lhe responderá
Que você sempre foi seu amante
E você quer viajar com ela
E você se deixa levar nesta viagem
E você sabe que ela confia em você
E você se deixa levar… Suzanne..

Leonard Cohen

sempre chamando…e esperando…

E ele vem novamente e
me chama, bate na porta e não tenho tempo para atender. Absorto em
meus pensamentos não abro a porta. E ele bate novamente, bate a todo
instante na porta. Quando abro a porta ele entra e traz uma Paz
indefinível. E ele quer ficar, mas não lhe dou espaço e ele se
vai. E está sempre a me esperar, sempre paciente… E bate na
porta… O silêncio.

Flores comestíveis – Fazenda Maria, em Tatuí-SP

A moda são os programas e concursos que tratam de alimentação. Tem a simpática filha do Gil: Bela Gil e muito mais programas.

E as flores comestíveis estão sendo muito utilizadas, pois além de suas qualidades trazem um colorido para os pratos.

Estamos apresentando alguns produtores de sementes orgânicas, entre as quais encontramos inúmeras variedades de sementes de flores.

E a Fazenda Maria tem se destacado na divulgação e venda de flores comestíveis. No início de julho teremos um evento muito interessante na Fazenda Maria. Em tempo, eles também produzem produtos orgânicos além das flores.

As informações que apresentamos abaixo foram tiradas do Blog e site da Fazenda Maria:

IMG_3265

A Fazenda Maria é um empresa familiar, formada por um engenheiro agrônomo, 2 psicólogas e 1 publicitária. Hoje, todos reunidos, viraram empresários em prol da Fazenda Maria, que tem a intenção de melhorar a qualidade do cultivo no Brasil, através de métodos sustentáveis e manejo orgânico, proporcionando saúde e bem-estar à mesa de nossos clientes. E, claro, não deixando de lado nosso lado decorativo  e sensorial da gastronomia, com a produção de micro leaves, flores comestíveis e ervas aromáticas. Tudo direto da Fazenda

Os produtos são manuseados e higienizados em cozinhas apropriadas, com funcionários especializados e treinados. Nossa colheita é diária, tentando atingir a necessidade dos clientes de terem sempre um produto fresco em mãos. Assim que são devidamente embalados, são armazenados em câmara fria e transportados em carro refrigerado.

No tocante às flores comestíveis, é nas pétalas das flores que se encontram os compostos antioxidantes, os minerais e as vitaminas. A cor, manifestada por estes órgãos, justamente se sobressai devido a presença desses micronutrientes. Quanto maior o teor de compostos fenólicos presentes nas flores comestíveis maior a atividade antioxidante delas. Elas possuem diversos compostos fenólicos (ácido gálico, quempferol, quercetina, apigenina, ácidos clorogênicos, etc.). Os teores destes compostos variam ao longo da maturação da flor e também ao longo do armazenamento, após a colheita, pelo que também a atividade antioxidante sofre variações.

A cor das flores reflete, no essencial, os teores e tipos de carotenóides e antocianinas presentes. Os teores destas últimas estão associados aos níveis de flavonóides totais, logo à atividade antioxidante.

Na Fazenda Maria cuidamos de cada plantinha com muito carinho, respeitando o espaço e o tempo da natureza. Utilizamos a cadeia alimentar e meios não artificiais para eliminarmos pragas e doenças. Os nutrientes fundamentais para o desenvolvimento de uma planta estão todos disponíveis na natureza, basta aprendermos a transformá-los e torná-los disponíveis para elas. Tal sabedoria dispensa a compra de inúmeros insumos disponíveis no mercado.

Por exemplo, em uma infestação por lesmas existem algumas opções de biocontrole.

Estamos em busca constante para manter a harmonia entre a produção e a natureza. Produzimos produtos que respeitam a natureza e também são respeitados pelas mãos dos produtores: somos contra o uso de produtos tóxicos, prezamos pelo manuseio de produtos artesanais, assim como uma boa adubação, o que proporciona também à planta meios “próprios” de se proteger contra pragas e fungos. A irrigação é feita com água de poços artesianos, portanto 100% naturais e livres de impurezas. Como a maioria de nossos produtos são de origem européia, necessitam de cuidados através de estufas e climatização. As sementes também são selecionadas e preservam um aroma mais intenso.

Débora na Fazenda: