THE WAYS

O Metromover e o Trolley são ótimas opções para ir e vir em Miami.

Não se paga nada e propicia amizades. Afinal, numa cidade turística muitos precisam e querem informações. Ouvidos atentos procuram seus pares, para o conforto da mesma língua.

Domingo é dia de descobertas e Eliana, amiga peruana, me convida para uma festa de seu país no charmoso e cultural bairro Wynwood. Ao descermos do Trolley para uma caminhada curta até o local da festa, cruzamos com um homem de passos duros e olhos ameaçadores; talvez por bebida excessiva. Nos cuspiu por duas vezes, dizendo que éramos um casal gay…

Tal incidente foi logo esquecido pelo entusiasmo da festa. Comidas e danças típicas, mais a hospitalidade desse povo de origem multiétnica com alto grau de mestiçagem, enfeitaram nosso dia, coroado pelo campeonato do melhor Ceviche e o show do grande comediante Carlos Alvarez…(a comédia quando bem feita encanta e alivia nossa dor de viver).

Eliana, com seu celular, a mostrar tudo para a mãe que ainda vive no Peru, e para seu esposo também peruano que não pode ir pois estava no seu trabalho num restaurante italiano, e que arrumava um tempinho para se inteirar da festa.

Na volta para casa, dentro do Trolley, um casal de mulheres sentadas no banco da frente, iniciam um diálogo conosco em busca de informações sobre os melhores lugares para se viver aqui, já que pretendem deixar New York.

 

Uma delas, brasileira, diz que quer fugir do frio nova iorquino e que sua companheira de muitos anos está adoecendo pela falta do sol que nunca se esconde por aqui.

Sou a primeira a descer do Trolley, um rapaz me acompanha e se apresenta, Marcos. Recém-chegado do Brasil tem planos, quer comprar um trailer para morar nele.

Não está tendo uma boa experiência em dividir quarto, e quer abrir seu próprio negócio …

Informação interessante: existe um estudo de outro tipo de transporte em Miami – levar os turistas e moradores para Orlando e vice-versa em curto espaço de tempo (para pessoas e veículos – que andariam em plataformas. Imaginado pelo dono da Tesla seria muito fácil se deslocar nesta rota tão utilizada por turistas:

National Vegetarian Museum

A VegNews, com o link abaixo,traz uma reportagem sobre o museu vegetariano/vegano de Chicago – the National Vegetarian Museum.

Eles flam sobre exposição no Museu e informações interessantes como:

“lemos que datado de 570-495 a.C., o matemático e filósofo grego Pitágoras foi um dos primeiros vegetarianos modernos, defendendo a filosofia de ser gentil com os animais ao não comê-los. De fato, até que a palavra “vegetariano” fosse inventada no século XIX, uma dieta livre de carne era comumente chamada de “pitagórica”.”

VegNews.Tofu&ImpossibleBurger

 

TRICK OR TREAT?

A decoração feita nas lojas, escolas e casas para celebrar o Dia das Bruxas contamina e leva esta avó a contar histórias nem tanto assustadoras e a fazer lanternas de abóbora com sua neta. Mais por brincadeira do que para referenciar os mortos ou a colheita, tradição celta do Halloween. Ao entrarmos nesses lugares com atrações assombradas costumamos cumprimentar esses personagens com um aperto de mão, desejar bom dia, trocar uma prosa rápida e nos despedir com “see you tomorrow!”.

Momentos em que os olhos desta criança de três anos brilham emocionados numa mistura de medo e encanto… Os da vovó preocupados em atenuar a linha do medo excessivo.

Temos preferência pelo homem do milharal da CVS “Mr Milho”

e pelas abóboras que fizemos “Mom pumpkin and baby Pumpkin”:

Antecipando o dia do Trick or Treat um homem mendigo resolveu conversar também com Mr. Milho.

Começou o monólogo de mansinho, mas foi se alterando, talvez incomodado com o olhar dos curiosos ou com o do negro pássaro pousado no ombro do espantalho. Em determinado momento tirou a sua blusa e ficou com o dorso nu…gesticulava muito.

Alguns funcionários se aproximam e pedem a sua retirada. Insatisfeito vai até a prateleira de bebidas e pega uma garrafa de leite. Loja cheia…todos se perguntam, o que fará agora? Vai beber? Vai jogar em Mr. Milho?

Este homem começa a se banhar, ali mesmo, com leite…Da cabeça aos pés!

Polícia, bombeiros chegam para retirá-lo! Neste momento agradeço a todos os deuses, mortos ou vivos, por minha little girl não estar presente.

Ela não entenderia…trick or treat?

DON’T GIVE UP

DON’T GIVE UP

Inúmeras escolas de idiomas e sites, e outros tantos professores particulares, mais a convivência diária com noticiário e Netflix … corrida desenfreada para aprender a ouvir, ler e escrever em inglês. Quem nunca se ateve a prestar atenção no idioma mais falado no mundo sofre muito por esse descaso.  E interfere duramente na conquista de trabalhos, além da frustração mortal de não se fazer entender, e o pior, não compreender o que lhe é dito.

Relações afetivas se distorcem, orientações escolares ficam comprometidas e oportunidades de trabalho se perdem.  Por exemplo, a orientação de mudança de building no campus do College, se não bem entendida te faz andar muito e nem sempre consegue chegar a tempo de fazer um exame. Ou, se vai numa entrevista bem preparada para expor suas habilidades e experiências e a orientação é de que volte no dia seguinte e você entende que deve esperar que te liguem, cria ansiedade e expectativas que te fazem sofrer muito… e que resultam em portas fechadas.

A eterna dúvida de ter entendido ou não o dito, causa desconforto intestinal, sudorese e noites de insônia. E uma vontade danada de desistir…por aqueles segundos intermináveis de silêncio cruel numa entrevista ao ser questionado sobre alguma coisa e, diante do incompreensível, não consegue emitir um único som diante dos olhares de todos…

Experiências desconfortáveis que te movem…e te colocam em pânico. Não existe outra alternativa…somente a de se jogar no inglês com coragem e ousadia…praticando.

Miami Dade College, em dowtown, oferece muitos cursos num preço accessível e com bons programas. E permite a socialização entre diferentes nacionalidades …falando o inglês gutural ou gestual, laços de irmandade se estabelecem entre os diferentes. O objetivo final é o mesmo…infantilmente entender e se fazer entender. Ir crescendo…para alguns mais rapidamente, outros lentamente, com a demasiada paciência dos professores que exigem: dentro da escola somente o inglês.

Roberto, haitiano, elegante na maneira formal de se vestir, magro na medida certa e com seus quase dois metros de altura, tem sempre um sorriso escancarado de dentição alva e perfeita. Está no nível seis do Esol no MDC e se destaca pelo sotaque francês e pelo seu alto nível de compreensão da língua inglesa. Deve ter cerca de 30 anos.

E é óbvio, que vive cercado pelas alunas pelos seus atributos físicos regados de muita gentileza em ajuda-las nas árduas três horas de Listening and Reading, após um dia de trabalho. Chinesas, russas, brasileiras, venezuelanas, peruanas e colombianas se deliciam com a sua entrega para o outro. E diferentemente dos demais rapazes da classe está sempre cercado, o que lhe permite disfarçar uma certa timidez.

Elizaveta, russa, ruiva, dedicada e introvertida, um pouco mais velha e igualmente elegante, toma posse da primeira carteira, indiferente ao grupo. Seria impossível imaginar uma aproximação mais estreita entre eles…

E o coração de Elizaveta é tocado violentamente pela tempestade magnética do amor.

Roberto e Elizaveta.

E, contrariando a  previsão, como a do furacão Michael que cresceu ao tocar o solo da Flórida nesta semana, a paixão entre eles se aflorou…

 

exatamente no momento em que, amparada por Roberto na forte ventania noturna na saída da escola (em Miami a ventania ficou por dois dias , único vestígio desse furacão), Elizaveta derreteu seu aparentemente duro coração.

 

 

 

Desde então são um só… Para os encontros basta se permitir receber gentilezas…em qual idioma for…

 

 

 

KEY LARGO – UM MAR DE AVENTURAS

Sair de Miami em direção a Key West é se munir de disposição para o encontro com o mais belo da natureza. Mar caribenho e clima agradável, passando por pontes enormemente compridas inevitável se faz o pensamento sobre os grandes escritores que viveram nesse ambiente que cheira a Cuba. Lugar ideal para a preguiça encantada por um charme cubano, com águas transparentes, o único compromisso sagrado é o de celebrar o pôr do sol.

E se jogar ao encontro de animais e plantas marinhas como fazem os pássaros. Com o período curto de apenas três dias, a opção desta vez foi se hospedar em Key Largo, mais perto, e ficarmos ali desfrutando do serviço e acomodações do Coconut Bay resort já explorado em outras ocasiões. Presente de aniversário para esta vovó sedenta de encontro familiar e redescobrindo a magia da vida com a neta, encontro este permitido com as bênçãos da Mãe Natureza pois nesta época do ano os furacões insistem em nos ameaçar. Mar, piscina, cafés e refeições ao ar livre feitas ali nessa nova casa, e espiados apenas por iguanas, lizeards , pássaros ou algum peixe que se aventurasse a voar sobre as águas com esse intuito.

A imaginação infantil e fértil se aflorou e me contaminou, nesse clima que inspirou a genialidade de Ernest Hemingway e Tennessee Williams em algumas de suas obras e que deve ter amenizado suas tormentas noturnas em suas sofridas existências. Assim, meu papel desta feita foi da vovó da Moana, a Vovó Tala, amor maior… Longe de castelos e príncipes encantados, longe das Catherines Barkley de Ernest, longe das Blanches de Tennessee, ela – Moana – personagem da minha neta, desbrava mares em seu caiaque sentindo um chamado interno muito forte. Aventureira, persistente e conectada com o mar, se descobre forte e determinada. Enfrenta seu pai e os monstros para ajudar seu povo. Morena linda de cabelos crespos molhados pelo mar.

Modelo feminino contemporâneo!  E nesta viagem ilusória, teatral, de caiaque preso na areia, Vovó Tala entrega o coração de TeFiti a Moana… e eu entrego o meu coração para você minha little girl!  Dias intensos e preciosos em personagens tão apropriados para o lugar. Em nossas mentes a música do filme…”vê a luz onde o céu encontra o mar…ela me chama…  Um dia saberei quão longe poderei ir…”